sexta-feira, 9 de maio de 2025
A NATUREZA DA CRISE ECONÔMICA MUNDIAL ATUAL
Parece mais do que razoável que a economia capitalista, chegada a um nível extremo de desigualdade na distribuição da riqueza, enfrente condições cada vez mais difíceis de realização, quando, como se pode dizer, a economia não gira, ou gira, mas cada vez com maior dificuldade. O fato é que o mercado de consumo popular realmente importa muito para a realização dos empreendimentos capitalistas, em geral. O capitalismo é uma economia de massas, produção em massa e também, necessariamente, consumo de massas. Há aqui uma das contradições internas do sistema capitalista, ele promove, naturalmente, a concentração das riquezas, ilimitadamente, mas depende do consumo das massas. Precisa de dinheiro novo, livre, na mão das massas, para girar a roda dos investimentos e do desenvolvimento da produção. Mas, a lógica própria do capitalismo liberal, pelo mecanismo real dos mercados, leva a uma concentração progressiva e ilimitada da riqueza social. Isto a história comprovou mais uma vez, agora, com a onda neoliberal. E também se comopovou novamente que, chegado a um certo nível desta concentração da riqueza, a economia capitalista começa a ratiar, começa a entrar em crise, ou em sucessões de crises. São crises de realização do capital, mais ou menos, generalizadas. Elas realmente existem e são realmente inevitáveis na economia capitalista liberal. Nós atingimos, nas últimas décadas, níveis extremamente altos de concentração de riquezas, os máximos históricos desde que se começaram a mensurar estes dados, nas mais diversas economias nacionais e, principalmente, nas maiores economias do mundo. Na história recente os níveis de concentração da riqueza social nestas economias começaram a cair nos anos 40 e atingiram os seus mínimos, por volta dos anos 70 do século passado, passando a subir, novamente, desde o início dos anos 80. Foi a onda neoliberal que está, justamente, se encerrando agora, em crises sucessivas, desde 2007.
A economia não gira mais com facilidade, as crises se sobrepõem, intercaladas com períodos de bonança e até bom desenvolvimento, promovidos pela injeção, na economia mundial, de recursos públicos anticíclicos e de proteção e promoção social abundantes, da ordem de algumas dezenas de trilhões de dólares. Mas, a crise continua aí. Retorna mordendo os calcanhares. Nestas condições, medidas extremas, pouco eficazes e muitas vezes francamente estúpidas e prejudiciais, incluindo quarentenas generalizadas por tempo indefinido, guerras tarifárias e guerras reais, são e vão ser mais aceitáveis e realmente implementadas, provocando novos momentos recessivos e grandes perdas reais na economia, em geral, e nos recursos para as massas, em especial. Com isto, a crise se aprofunda. E, agora, os recursos anticíclicos estão se esgotando., o endividamento público atingiu níveis difíceis de sustentar, na ordem atual. Na verdade, a solução liberal para a crise seria simplesmente deixa-la acontecer. Ela seria a cura, por si própria, dos desvios e dos vícios presentes na economia Isto tem lá a sua verdade. Mas o custo humano, social, disto é alto demais. No século passado foram mais de 150 milhões de pessoas mortas diretamente nos eventos associados às crises econômicas de então, que tinham o mesmo caráter das atuais E nas condições atuais o risco destrutivo é ainda muito mais extremo. Não é de se estranhar que estejamos vendo se repetir agora a estratégia liberal de enfrentamento final da crise, antes das grandes guerras reais: a guerra tarifária. Foi assim na virada do século XIX para o XX e se repete agora. A referência do governo atual dos EUA às medidas daquela época é explícita. Eles não sabem quais foram as consequências disto no século passado? Sabem, mas não têm outra saída. Porque só há uma saída real para esta crise extrema da economia capitalista liberal atual. A saída para esta crise da extrema concentração de riquezas é, obviamente, a sua reversão. A negação real e profunda da doutrina liberal. De fato, eles aceitam a guerra com muito mais naturalidade e facilidade do que aceitam a redistribuição da riqueza. Mas, não é de guerra que o mundo está precisando e não é com guerra que a gente vai sair da crise, é com a redistribuição da riqueza. Em todo o mundo o padrão de consumo das massas está achatado, comprimido. No terceiro mundo, ainda hoje, persistem as condições de vida tantas vezes subhmanas, condições de pobreza e indignidade extremas e no mundo rico as condições de vida das massas em geral só pioraram nas últimas décadas. Agora vamos começar a reverter tudo isto, de novo, como foi no século passado, a partir dos anos 30 e principalmente pós 1945.
Parece que isto caracteriza um movimento ondular no processo histórico do sistema econômico capítalista mundial, onde tivemos e vamos ter, ainda adiante, ondas sucessivas de liberalização e de socialização. Correspondendo, ao fim, a momentos de maior concentração e de maior distribuição da riqueza social. Talvez estas ondas estejam, estarão presentes em qualquer economia social muito complexa, com sistema de trocas e produção em massa desenvolvidos. No sistema capitalista, agora, isto me parece muito claro e deverá persistir assim enquanto ainda estivermos neste sistema. Seja como for, creio que é bem razoável concluir que, nas condições históricas recentes e atuais, o fim de uma onda liberal na economia capitalista, termina, necessariamente, em grandes crises econômicas sistêmicas. Estamos, portanto, no presente, em uma grande crise deste padrão, no sistema econômico capitalista mundial. Atenuada pelas medidas anticíclicas e de proteção, mas efetivamente presente e preocupante, desde então. Agora estamos chegando ao ápice desta crise, em seus momentos mais decisivos e resolutivos. Daqui basicamente só temos dois caminhos, ou aprofundar a crise, com mais recessão, empobrecimento e guerras, ou, a mudança de rumos para a maior redistribuição de riquezas e melhor coordenação da economia mundial.
Ao fim, iremos, para a nova onda socializante, como foi no século passado.
Esta seria uma tendência predominante, imanente à própria lógica contraditória do desenvolvimento social capitalista: que uma onda socialista suceda uma onda liberal, em um nível sempre mais elevado. Então, me parece certo que iremos agora, que estamos indo, de fato, para um nível de socialização da economia mundial bem superior àquele que se forjou na segunda metade do século passado. O que guarda correspondência com o estágio atual de desenvolvimento e integração da produção e da vida social mundial, em geral. Há uma única hipótese real para isto não acontecer e é ela sobretudo que temos que evitar agora: a possiblidade de crises cataclísmicas com verdadeiro rebaixamento civilizatório, seja pelas grandes guerras, seja pela crise climática. Desde que eventos destrutivos realmente cataclísmicos, com grande perda civilizatória generalizada no mundo não aconteçam, as próprias necessidades do sistema promoverão, de um jeito ou de outro, as mudanças em direção socializante, nos dois aspectos principais que estou indicando, de redistribuição da riqueza social e de maior e melhor coordenação da economia mundial. Mas, não será, ainda, a onda de fim da economia de mercado capitalista. Estaremos em um momento mais avançado, mas ainda estarão presentes características determinantes do capítalismo e podemos, portanto, prever, no futuro, novas flutuações liberalizantes, de restauração capítalista liberal e concentração de riquezas, seguidas de novas crises gerais, também superadas por novas ondas socializantes. Pelo menos enquanto ainda estivermos em um sistema mundial capitalista. Creio que estes ciclos e as suas crises terão uma dramaticidade, ou, pelo menos, uma destrutividade real cada vez menor, na medida mesmo do desenvolvimento socializante do sistema, devido ao maior nível de consciência, de controle consciente da economia social que a economia socialista traz em relação ao capitalismo liberal. Uma prova disto será a resolução da crise atual que deve ser bem menos dolorosa que a do século passado, ainda que ela vá nos custar muito caro ainda, nos próximos anos e talvez décadas adiante.
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