sexta-feira, 30 de maio de 2025
Sala de Situação – Maio 2025 -
A crise econômica sistêmica atual, com a re-emergência fascista e imperialista e alto risco de grandes guerras
E a sua solução histórica.
Em uma grande crise de realização na economia, característica do desenvolvimento capitalista liberal, algumas coisas acontecem, de uma forma mais ou menos conhecida, conforme a história dos últimos séculos indica e a ciência econômica, em geral, identifica. Certamente, em uma grande crise assim, uma série de más decisões e fracassos na condução dos negócios, privados e públicos, são esperados e devem realmente acontecer. Afinal, a recessão, a sucessão de picos recessivos, necessariamente ocorrerá, em uma crise desta natureza, ou seja, muitos empreendimentos privados vão fracassar e as políticas públicas serão insuficientes ou francamente prejudiciais para a recuperação da economia como um todo. Seja qual for o tipo de sandice que você puder imaginar, ela pode acabar acontecendo, resultando sempre no fracasso e na quebra de investimentos, de negócios, de cadeias de produção e consumo e até de setores inteiros da economia, na queima de capital, enfim, e em mais perda da capacidade de compra e de serviços públicos para as massas. Até que um novo ciclo de acumulação e realização possa ocorrer. Não há como escapar disto, pelo caminho ‘natural’ das crises econômicas características de uma economia capitalista liberal. Este processo lembra aquele de podas radicais para que as plantas se desenvolvam ainda mais. Mas, podas radicais podem matar, a economia não é uma planta, as pessoas não são folhas e o custo social das crises econômicas generalizadas é alto demais. Foi justamente por isto que desenvolvemos, dentro do próprio sistema capitalista, as medidas protetivas e anticíclicas, financeiras e sociais, e elas têm sido largamente utilizadas.
Esta crise tem um pilar, a incapacidade do consumo absorver a produção, sobretudo dos novos investimentos, em alguns setores importantes, ou de forma mais generalizada, na economia. Os investimentos fracassam, a economia estagna, a produção decai e alguém tem que pagar por isto. Objetivamente, a população tem que consumir menos. No modelo capitalista liberal isto resulta em um ciclo vicioso realmente muito destrutivo e justamente por isto se justificam as políticas anticíclicas de garantia de renda social, para as camadas populares.
O aprendizado histórico e o desenvolvimento social estão, realmente, nos permitindo lidar com as crises econômicas, em geral, e esta atual em especial, de forma muito mais civilizada e positiva do que seguindo o receituário liberal ou a lógica espontânea do mercado capitalista. Em todo o sistema capitalista mundial e, em especial em seus países mais ricos, desenvolvemos e aplicamos, cada vez mais largamente, desde o segundo quarto do século passado, medidas anticíclicas de proteção dos mercados e das pessoas, assim como medidas gerais de regulação financeira, produtiva e social. Isto explica, no meu entendimento, os resultados atuais muito menos destrutivos, até agora, do que aqueles da grande crise mundial da primeira metade do século passado.
Na crise atual, em vários momentos, a partir de 2007, os governos, no sistema mundial como um todo e especialmente nos países mais ricos e poderosos da aliança hegemônica ligada aos EUA, lançaram algumas dezenas de trilhões de dólares na economia, para alívio da crise, socorro ao sistema financeiro, proteção social e incentivo ao consumo. Isto permitiu que as economias recuperassem em parte suas capacidades de desenvolvimento, ainda que apenas de modo instável e limitado, temporariamente. As medidas adotadas claramente não foram suficientes para eliminar completamente a crise. Tivemos picos recessivos anuais mundiais em 2009 e 2020, algo que não acontecia desde o fim da 2a guerra mundial, e talvez estejamos, já, no caminho de um novo pico recessivo. Além disto, no presente, ao fim de maio de 2025, nos principais países da aliança hegemônica, os recursos anticíclicos parecem estarem chegando ao limite ou terem já se esgotado, sem terem sido capazes de reverter a crise. Os seus déficits públicos estão batendo recordes e com tendências de crescimento insustentáveis e parece cada vez mais difícil continuarem com programas de incentivo econômico. Seja com for, nos EUA, na Inglaterra, no Japão, na Alemanha ou na França, por exemplo, as economias estão realmente enfrentando grandes dificuldades e o que se espera é um crescimento muito baixo ou recessão.
Estamos, portanto, chegando ao momento mais grave, mais dramático e perigoso da crise atual, em que parece que os recursos anticíclicos talvez não possam mais ser utilizados em larga escala. Daí também cresce a importância de entender qual a sua natureza, características e tendências principais.
A crise atual, dos países da aliança hegemônica do sistema capitalista mundial, ocorre ao fim de um processo de muita concentração de riquezas e com taxas de crescimento relativamente baixas, o que resulta, necessariamente, em um processo progressivo de empobrecimento relativo e, ao fim, até em empobrecimento absoluto das massas, levando a grandes limitações e impossibilidades para a ampliação e, até, enfim, na sua redução do seu consumo, em contraste com a riqueza cada vez mais concentrada. Não é possível que isto aconteça sem o aumento da insatisfação da população, que, no entanto, não está consciente das características e causas do seu empobrecimento, da estagnação, degradação e piora da sua qualidade de vida, em chocante oposição com o contínuo desenvolvimento tecnológico e da produção em geral.
Muitas justificativas e fantasmas sociais são erguidos pelas ideologias dominantes para direcionar esta frustração e a raiva das massas neste processo. São os mesmos falsos inimigos de sempre, normalmente os mais rejeitados entre os discriminados, que sofrerão de algum modo o ônus ideológico e social da crise. No interior dos países, as classes, as raças, as religiões, gêneros e outras características de grupos populacionais já, de algum modo, fragilizados e oprimidos, serão alvo de violência ideológica, moral, material, econômica e física, muito mais intensamente do que em tempos de paz econômica e social. No cenário mundial, na relação entre as nações, de certo modo, o mesmo acontece e as proteções institucionais, legais, morais, ou, de qualquer ordem são deixadas de lado. A face mais dura do poder político, geopolítico, econômico e militar, imperialista, tende a se apresentar, em sua realidade bruta. Este é o caldo de cultura do qual nasceu o fascismo e, agora, o neofascismo.
Estamos, agora, entrando no ponto máximo da crise econômica e social atual do sistema capitalista mundial e devemos, portanto, também estar no ponto máximo de avanço das forças neofascistas no mundo. Especialmente nos países da aliança hegemônica, que são o centro da crise. Do ponto de vista econômico e político, no interior destes países, deve estar claro que, agora, a insatisfação popular continuará alta e estará atingindo extremos e que, portanto, está altamente sujeita à manipulação fascista. Ao passo que as medidas anticíclicas não foram capazes de reverter as tendências recessivas e nenhuma medida política, dentro da ordem democrática, pode reverter rapidamente as bases econômicas desta grande insatisfação popular.
Tudo isto leva a um risco cada vez mais alto das guerras como alternativas interessantes e aceitáveis, do ponto de vista ideológico pelo fortalecimento do nacionalismo e a projeção de inimigos externos para as massas frustradas e sem perspectiva. De fato, a ocorrência de guerras e crises políticas graves no interior dos países, aumentou muito desde o início da grande crise econômica atual. As guerras são, infelizmente, formas eficazes de se lidar com as grandes crises econômicas, elas cumprem diversas funções neste sentido, realizando a forma mais direta e brutal de queima de capital, físico e humano, de poda radical no sistema econômico e social.
Na medida em que a crise não se resolve e as medidas anticíclicas encontram seus limites e cobram o seu preço, a posição capitalista liberal, que foi tão vitoriosa nas últimas décadas, resiste a ceder o seu predomínio e abre mão de tudo em sua doutrina, menos da ideologia de acumulação ilimitada da riqueza. Todas as outras liberdades de mercado podem ser e são contestadas, na procura de saídas para a crise, mas insistem e insistirão até o fim que a concentração de riquezas deve persistir o seu curso, livremente. É óbvio que isto é a receita certa para a manutenção e aprofundamento da crise e de todos os seus corolários e consequências.
Estamos, portanto, justamente neste momento extremo em que todas as gentilezas cessam e a estupidez e a virulência da lógica da acumulação livre e ilimitada tende a se mostrar sem retoques, sem meios termos, sem contemporizações.
A ideologia da violência, da dominação e da guerra necessariamente são crescentes nestas condições e é justamente o que vivemos na última década, ou nas duas últimas décadas. Sob qualquer critério que se estabeleça, é claramente identificável o aumento da xenofobia, do nacionalismo e do belicismo. Ao fim, a face mais dura do imperialismo se manifesta, necessariamente neste contexto, e é o que estamos vendo. Seja qual for o resultado das investidas imperialistas atuaia, nada vai conseguir restabelecer a hegemonia absoluta dos EUA e nem muito menos conseguir controlar e reverter a grande crise de realização atual do sistema capitalista mundial, que incide especialmente sobre os EUA, UE e aliados e, também por isto mesmo, o risco das grandes guerras se torna cada vez maior, no atual momento histórico.
Dizem por aí que a história se repete, mas o que primeiro aconteceu como uma tragédia, na repetição se torna uma farsa, uma comédia, um arremedo. Olhando o neofascismo atual, em relação ao fascismo na sua origem, este dito popular parece se confirmar. Mas, na verdade, eu não tenho certeza de o quanto, lá na sua origem e até o desencadear das formas mais extremas do poder fascista, se antes disso, ele não tinha também este traço de farsa descarada, de truques idiotas e perversos executados por atores, mágicos ou palhaços canastrões. Justamente como agora. A arte de enganar o povo faz parte, de qualquer modo, do playbook fascista. O espetáculo e a diversão pode predominar mesmo, até quando as coisas conduzem para as ações mais extremas. E conduzirão. Isto não é exatamente uma escolha, ou um plano bem definido qualquer. Não, muita coisa é realizada justamente pela pressão do momento histórico, cada vez mais forte, no curso de uma grande crise histórica, econômica e social. E, neste curso, os palhaços fascistas vão ficando cada vez mais aterrrorizantes, mais macabros e a ideologia da imposição do poder pela força se mostra necessariamente mais, em sua face mais explícita.
Parece mesmo ser um percurso natural ou espontâneo da economia capitalista que, ao fim de uma onda liberal, com a extrema concentração da riqueza social, persistente e progressiva, seguem-se dificuldades incontornáveis de realização do capital produtivo, no comércio, nos investimentos, na renda, no emprego, em áreas mais ou menos extensas, até atingir o nível de crise e, enfim, das grandes crises generalizadas. Com o seu corolário de, ainda mais, fracassos, empobrecimento, insatisfações e frustrações, até o nível do desespero, largamente disseminadas na sociedade, mas atingindo, obviamente, de modo muito desigual as diversas classes de pessoas, impondo-se de modo muito mais brutal sobre os mais pobres, ou, excluídos de qualquer outro modo, contra os quais muitas vezes, ou necessariamente, ainda se viram a revolta e o ódio dos demais na sociedade. As classes populares se encontram, neste momento, ao fim de um longo processo em que perderam, progressivamente mais, o acesso aos melhores bens e serviços frutos do novo desenvolvimento social. Um longo período de perda progressiva da sua renda relativa, pela concentração da riqueza, e perda de serviços e recursos públicos, em que acabam mesmo objetivamente empobrecidas, em comparação a anos e décadas atrás. A crise de realização generalizada acentua todas estas perdas progressivas, disseminadamente, nas camadas populares que vão terminar também por perder, fortemente, uma perspectiva positiva de futuro e ver o desespero crescer no seu meio. O apego às piores ideologias religiosas, nacionalistas, xenófobas, racistas, violentas e bélicas,deverá mesmo aumentar.
Estas são formas de escape da situação objetiva e de manipulação e dominação das massas pelos ricos e poderosos que, ao fim do longo processo de concentração, obviamente, não querem abrir mão disto e vão lutar, com força, por manter e seguir ampliando seu poder e riqueza. Mas, manter e ainda ampliar isto, nos extremos em que a concentração já se encontra, não parece possível dentro das ordens normais de funcionamento da sociedade e da economia. É realmente peculiar deste momento que, agora, as forças socializantes apareçam como os melhores defensores da segurança e da estabilidade no sistema, enquanto os donos do poder procurem se mostrar como os mais disruptivos e anti sistema. O fato é que eles não podem mais se impor, não podem impor mais perdas às massas e mais concentração de riqueza e poder, sem o uso de recursos de exceção e força.
O fascismo que sempre está aí, de certo modo, no capitalismo liberal, disfarçado nas luvas de pelica da democracia, da justiça e da ordem, agora vem à tona, de um modo ou de outro, vem à tona em sua brutalidade mais explícita. O povo é ainda mais jogado contra ele mesmo, no interior dos países e entre países. O ódio explícito aumenta e passa a predominar em alguns extratos da sociedade e da mídia. As frustrações e o ódio generalizados são direcionados para alvos estes falsos, mas muito reais. As notícias e os espetáculos de violência e mortes lavam as almas de muitos, ou, pelo menos, lhes dão algo para se agarrar dentro do desespero e estes extremos de violência fratricida, estúpida e desumana continuarão mobilizando a memória coletiva e os espíritos individuais por um bom tempo, seja por serem expurgados ou exaltados. Seja como for, a solução capitalista liberal das grandes crises de realização generalizada, que são esperadas ao fim de uma onda liberal na economia capitalista, a solução pela imposição de maiores sacrifícios, de mais perdas econômicas e de todos os seus corolários, sobre as massas, que já vêm em uma sequência longa de perdas, não se faz facilmente, sem os recursos ao fascismo e à guerra, ou de algum modo, em síntese, sem a imposição do poder pela força bruta.
A imposição mais extrema do poder, de mais concentração de riqueza e poder sobre o seu nível já extremado, não pode se fazer sem a maior explicitação, sem a maior exposição da sua brutalidade e violência. Isto se torna uma necessidade para impor os maiores sacrifícios ao povo que já está empobrecido . Além disto, aqueles que acumularam tanto em riqueza e poder não querem, obviamente, ceder e redirecionar a economia para ganhos populares na distribuição da riqueza. em renda, recursos e serviços, ao contrário, é mesmo natural e espontâneo que tanta concentração de riqueza e poder queira mesmo se exercer de modo mais pleno, sem os limites institucionais ou legais, nacionais e internacionais.
Por outro lado, neste momento, quaisquer que sejam as ações acertadas, para reversão da concentração de riqueza ou de recuperação e melhora de acesso a recursos e serviços públicos para as massas populares, elas não podem, contudo, reverter a situação de empobrecimento imediatamente e, portanto, o seu valor, em geral, não será percebido no tempo relativamente curto dos ciclos eleitorais. Razão porque, nestes períodos, fascistas e imperialistas serão eleitos e reeleitos e, se possível, tomarão o poder de assalto, pelos motivos que indiquei acima e porque isto é da natureza do fascismo. E é por isto que, hoje, ele ronda as sociedades centrais da aliança hegemônica do capitalismo mundial, bem mais do que nas últimas, muitas, décadas.
Atualmente nós estamos em um nível realmente extremo de desigualdade, dentro das principais economias no sistema capitalista mundial, depois de um longo processo de contínua concentração de riqueza nas últimas 6 a 7 décadas. Não há como ignorar o quanto isto tem cobrado de empobrecimento e perdas de recursos em geral para as massas populares nos países hegemônicos do sistema mesmo. Esta é, sem dúvida, uma base certa, segura, para a crise generalizada, como descrevi acima. Estamos em uma crise deste padrão nos últimos quase 20 anos, nas economias centrais da aliança hegemônica. Mas, é preciso entender, não podemos ignorar de modo algum, que ela está contida, controlada, mitigada, em todos os seus mecanismos e efeitos, pelas redes de proteção social e de regulação financeira já existentes, desenvolvidas ao longo de décadas e séculos, e pelas medidas anticíclicas adotadas, com o uso abundante de recursos públicos injetados na economia, em nível recorde, muito acima do que qualquer precedente. É por isso que não temos de fato uma depressão ou algo parecido. Nos EUA e no mundo, até agora, o que tivemos foi a queda das taxas de crescimento, em média, nos últimos18 anos, aproximadamente, e com os 2 picos recessivos anuais, passageiros, nesse período. Tudo o que se pode referir em termos de crise econômica e social e politica, que se pode esperar da condição atual, como descrito acima, está, de certo modo ocorrendo, mas de maneira bem atenuada, ainda.
Efetivamente estamos, no entanto, chegando ao extremo da crise justamente agora. E, portanto, podemos esperar que todas as suas consequências devem ainda piorar, nos países hegemônicos mesmo. Os limites dos déficits fiscais estão sendo atingidos e as apostas de muitos governos seguem sendo na concentração, ainda maior, de riquezas. Assim a crise não será resolvida lá, ao contrário, e isto atinge todo o mundo, de um modo ou de outro.
A isto se soma ainda a crise de perda da hegemonia estadunidense na economia mundial. Nas condições atuais, ambas as crises são inevitáveis e o que eles estão fazendo nos EUA, agora, apenas acelera estes dois processos, de muitos modos. A massa se empobrece com a imposição de tarifas de importação, pois os preços sobem, e também com serviços públicos sendo cortados, enquanto os impostos para os mais ricos estão sendo aliviados. Como nada disto é resolutivo, é previsível que mais cortes nos gastos públicos, nas importações e na capacidade de consumo popular terão que ser impostos logo mais adiante. Tudo isto significa, enfim, mais empobrecimento para grandes massas nos EUA, algo que já vem acontecendo, há algum tempo, lá e também na Europa.
As intervenções de socorro nas crises foram efetivas, até o momento, e permitiram, contudo, que a economia seguisse fluindo bem, ao fim, ainda que com crescimento relativamente baixo e picos recessivos. Talvez, a história se repita mesmo, agora, de modo menos trágico, mais enfraquecido, também, pelo aprendizado histórico, de modo que aquilo que foi tão destrutivo agora já não tem mais que ser, porque já aprendemos a reagir. Parece ser esta a realidade atual e nada de tão desesperador, a nível mundial, ainda não aconteceu, no curso da crise atual, em comparação com aquela anterior, da primeira metade do século passado. Aos trancos e barrancos, a humanidade, por enquanto, ainda segue um curso de desenvolvimento e pacificação, um processo de transformação e evolução histórica, dentro do sistema capitalista mundial.
Agora não parece haver, contudo, nem nos EUA ou na Europa e nem nos demais países aliança hegemônica, força econômica ou política para reverter, de fato, as tendências de crise generalizada, com as suas mais trágicas consequências, como aquelas vividas pela humanidade no século passado. O aprendizado histórico, dentro da própria aliança hegemônica, nos trouxe até aqui, nesta condição ainda positiva, dado o extremo de concentração de riquezas que se atingiu, já. As ferramentas e instituições de regulação, proteção social e anti crise, implantadas no sistema, impediram o pior até agora, mas parece que estão no limite e não são capazes de resistir às tendências persistentes da crise, dentro da opção evidente pela persistência e ampliação, ainda mais, da concentração de rendas, nos governos da aliança hegemônica, ou pelo menos, no governo dos EUA atual. A persistência de níveis muito baixos de crescimento econômico e de picos recessivos nestes países parece que será o novo normal, por um tempo ainda relativamente longo, cobrando o preço social que estou tentando destacar. Mas, incrivelmente e para a sorte de todos nós, a antiga aliança hegemônica, já não o é mais hegemônica. Ou, pelo menos, já tem que dividir esta hegemonia. Já existe um novo subsistema econômico, ou um novo polo dentro do sistema econômico capitalista mundial atual, que se projeta progressivamente mais e que realmente já tem força para dividir a hegemonia com o polo dominante antigo. Escrevo isto não no sentido militar ou mesmo geopolítico, mas, primordialmente, no sentido econômico, que ao fim, nas condições atuais é inquestionavelmente determinante para estes outros níveis também. Não há vitória militar, hoje, que não seja, no fim das contas, uma vitória tecnológica e industrial. A China, as parcerias e as alianças para o desenvolvimento, da China com o Sudeste Asiático, com a Ásia Central, com a Rússia, com a África, com o Oriente Médio, com a América Latina, com a Europa, a inciativa Belt and Road, os Brics, tudo isto, tendo sempre a China como centro, já tem a vitalidade econômica e, por via de consequência, geopolítica e militar, para sustentar e dirigir a economia mundial e a humanidade, como um todo, contra, para fora e para além da crise e das suas consequências mais destrutivas a que, de outro modo, parece que inevitavelmente, o sistema capitalista mundial seria conduzido pela aliança hegemônica dos EUA.
Uma das principais ideologias políticas do momento ainda é a ideia de que estamos em grande risco, nas áreas de maior influência dos EUA, de sermos dominados por ideologias e potências externas autoritárias, em face da democracia liberal em que, pretensamente, vivemos, ou, deveríamos viver. Esta é uma visão fake ou iludida da realidade histórica. Primeiro, é falso que o sistema mundial sob a hegemonia dos EUA seja democrático. Isto é falso no nível propriamente mundial, ou internacional, onde o poder militar e econômico se impõe diante de um sistema normativo e de governança embrionário, ainda. É falso, também, no nível nacional, dos diversos países, onde formas de ditaduras e democracias fake são abundantes e, de fato, predominantes no sistema sob a hegemonia dos EUA. Nem mesmo nos próprios EUA, hoje, se pode falar com toda a segurança que esteja em uma democracia. Hoje o poder lá se exerce por atos imperiais do executivo e a estrutura institucional está sendo constrangida ao máximo. Isto é correspondente à natureza da crise atual, com sua determinação econômica bem definida, dado o nível de extremo de concentração da riqueza que já se atingiu lá e dada a resposta que os bilionários no poder estão dando, como era de se esperar.
A resposta liberal, como está se mostrando, pode negar todos os princípios do liberalismo, menos a ideologia de que a acumulação do capital deve ser completamente livre e incentivada, independente do nível de concentração de riquezas. Já chegamos a um extremo de desigualdade, lá, e ainda estão impondo mais, porque, com certeza, este será um resultado da nova isenção de impostos somada à nova política de taxas de importação nos EUA. Tudo isto só poderá aprofundar a crise nos EUA. O que só incentivará ainda mais a via autoritária e o conflito interno, lá. A crise entre o governo dos EUA e o sistema educacional do país, em geral, e as Universidades, em particular, é mais do que um sintoma disto tudo, é um elo razoavelmente bem conhecido da decadência de potências na história da humanidade, da qual faz parte a ocorrência de algum declínio acadêmico e científico e fuga de cérebros.
Consideramos, até aqui, muito centralmente, a associação do aumento progressivo da desigualdade social, da desigualdade na renda ou na distribuição da riqueza social com a emergência de crises econômicas generalizadas, crises de realização e acumulação do capital, crises recessivas, que são características do fim de uma onda de liberalização na economia capitalista, como foi, e ainda está sendo, neste fim da onda neoliberal. Crise que, ainda que esteja muito mitigada, traz os seus corolários de ascensão do autoritarismo, do fascismo, como é ascensão atual do neofascismo e as suas consequências geopolíticas. O nosso foco eram as economias centrais, dominantes e, especialmente, a principal economia do sistema capitalista mundial, a economia dos EUA. É bem diferente quando a gente considera uma sociedade como a nossa, o Brasil. Aqui vivemos sempre, com poucas flutuações, os níveis de desigualdade mais extremos, sempre acima dos piores níveis atingidos nos piores momentos históricos nos países centrais da aliança hegemônica dos EUA .
Não é de se estranhar que aqui a gente tenha uma economia capitalista relativamente protraída, com o freio de mão sempre mais ou menos puxado, condenada a voos de galinha, no máximo. Esta é a nossa história. Não é de se estranhar que, aqui, a democracia seja uma farsa mais explícita e dolorosa, mais constantemente e mais violentamente negada, na realidade cotidiana.
Aquilo que a gente abomina e deve mesmo abominar, que nos leva à vergonha e até ao desespero, quando temos ciência de um genocídio, de um holocausto, da execução e eliminação sistemática e continuada de povos, nações, etnias, grupos sociais, atingindo os civis e até as crianças, mesmo quando ocorre em terras distantes, é, no entanto ainda prática cotidiana aqui mesmo no nosso país, contra parcelas do povo brasileiro. Os níveis de violência econômica e social, o uso de assassinatos e de tortura, que se praticam aqui no Brasil, na imposição do poder, são, sempre, ainda, muito além do que é aceitável em uma democracia, para os padrões civilizatórios dos países centrais. Violência extrema, econômica, étnica, jurídica, policial, de gênero, criminal e interpessoal, sempre compõem o nosso cotidiano, nossa vida social, em níveis inaceitáveis para padrões civilizados. Somos, por isto mesmo, uma vergonha, para nós mesmos e para a humanidade civilizada, do mesmo modo que, hoje, Israel é. Porque somos, em nosso cotidiano, um estado e uma sociedade de genocidas, assassinos e torturadores. Ou, pelo menos, uma sociedade que é obrigada a conviver com o abuso, a violência, os assassinatos e a tortura, como se isto como se fosse inexistente e com os seus perpetradores como se fossem homens de bem. É assim que é, aqui no Brasil e em vários outros países, é assim no dia a dia. Abusadores, violentos, assassinos e torturadores, fascistas, estão em postos de poder nas polícias e nas forças armadas, em conselhos e associações profissionais, em instituições médicas e jurídicas, e nas práticas cotidianas disseminadas em todo o sistema. O abuso, o desrespeito, a ameaça, a coação, a violência física, a tortura e os assassinatos ainda são práticas policiais, jurídicas, sociais, corporativas, políticas, econômicas, muito presentes no cotidiano de nossas cidades e campos e ninguém que tenha os olhos abertos pode negar isto. A democracia, em condições assim, só pode mesmo ser uma farsa dolorosa, uma ideologia perversa, como uma religião ou um ideal moral qualquer, aquilo que deveríamos ter e não temos, aquilo que deveríamos ser e não somos. Além da dor da nossa realidade miserável, a gente ainda tem a culpa de não atingir os níveis da civilização dos países ricos ou desenvolvidos no sistema.
Não quero ser pretensioso e obstinado o suficiente para colocar tudo isto na conta da extrema desigualdade na distribuição da riqueza social que é imposta aqui no Brasil e em grande parte dos países colonizados. Mas, não é possível negar como tudo isto é bastante coerente com esta condição econômica permanente na nossa história. A extrema desigualdade permanente realmente impede que a economia capitalista se desenvolva com um grau razoável de autonomia aqui e assim continuamos sempre tributários das potências dominantes, sempre limitados no poder de compra das massas locais, sempre em ciclos de avanços e grandes derrocadas. Uma economia que pode até chegar a ser pujante, circunstancialmente, mas com ganhos muito limitados para as massas e que termina sempre resultando em ciclos de grande perda e empobrecimento. Parece que o fascismo é uma forma natural ou até necessária à imposição do poder, nessas condições de desigualdade extrema, o fascismo político aberto, nos nossos momentos de ditadura capitalista, ou o fascismo nosso cotidiano, na polícia, no judiciário, na medicina, na mídia, nos serviços e nas pessoas, no dia a dia, mesmo nos nossos momentos de democracia. A violência econômica extrema se impõe, quase que necessariamente, por meios extremamente violentos. Aqui, a democracia, o estado democrático de direito, é quase sempre impotente, grande parte do tempo é apenas uma esperança ou uma verdadeira farsa diante desta base de violência extrema no nosso sistema econômico. E é por isto que aqui as práticas do fascismo sempre estão presentes em um nível inaceitável para os países democráticos, civilizados. A relação entre a violência política e a violência econômica, entre nós, também se mostra no fato de que os dois golpes de estado efetivos mais recentes, aqui no Brasil, ocorreram justamente quando a desigualdade social atingia um mínimo histórico e, ambos, foram muito bem sucedidos em impor uma política econômica de intenso aumento da concentração da riqueza. Tanto nos anos 60 do século passado, como nos anos 10 do nosso século, foi justamente isto o que aconteceu, o golpe veio para interromper e reverter o ciclo de redistribuição de riqueza que tinha atingido o máximo aceitável pelos detentores do poder aqui.
Talvez se deva fazer, agora, a seguinte pergunta: então os próprios países ricos, democráticos e civilizados e o sistema, como um todo, não podem mesmo regredir ao nível de desigualdade, corrupção e violência dos países secundários e subalternos no sistema mundial, como é o caso do Brasil? Ao invés de nós, aqui e nos outros países da periferia, avançarmos para os níveis mais civilizados dentro do sistema capitalista mundial e ao invés do sistema, como um todo, seguir avançando em sentido civilizatório, o que nós estamos vendo não é justamente o contrário, a regressão dos países centrais à condição de economias de extrema desigualdade e diversas formas de neofascismo político e, quem sabe, de um neofeudalismo econômico?
A minha resposta tem sido sempre não e, consistentemente, não, ainda que a gente tenha que passar pelo avanço ainda maior do fascismo nos países centrais da aliança dos EUA e ainda que a gente tenha que passar por grandes guerras que naturalmente daí sucederão. Estamos em um nível alto de risco de que isto realmente aconteça. Está acontecendo, já. Mas, ainda em um nível limitado. O fascismo não se impôs abertamente em nenhum destes países e provavelmente isto não acontecerá. A guerra, por enquanto, é “apenas” comercial ou econômica, em geral, ou está limitada à Ucrânia, Palestina, Congo e mais uma ou outra guerra localizada deste tipo, aqui e ali, com o número de mortes ainda limitados, diante dos números do século passado, por exemplo. Mas, todo mundo sente que estamos realmente em um risco maior, como naquela situação grave em que idiotas, sentados cada qual em seu barril de pólvora, se provocam mutuamente. Algo muito ruim pode ocorrer a qualquer momento. Mas, não parece que vai ocorrer agora, ainda, pelo menos.
Ainda que isto ocorresse, a solução de uma crise econômica capitalista de realização generalizada, como a atual, não pode ser e não será de regressão a uma condição geral de maior desigualdade e formas mais autoritárias e violentas de imposição do poder. Ao contrário, justamente ao contrário. Mesmo que a gente tenha que passar por um franco momento neo facista, de real imposição autocrática, aberta, do poder, em alguns países da aliança dos EUA, e mesmo que isto nos conduza a guerras bem maiores e mais destrutivas que as atuais, a saída da crise atual se dará por um novo ciclo de redistribuição de riquezas e de avanços socializantes no sistema econômico e social mundial, em geral.
Efetivamente, eu não acredito nem mesmo que a gente sequer vá passar por estes dramas mais extremos, ainda que o risco tenha aumentado muito e seja crescente. Os meus motivos para esta análise, ao fim, se concentram na própria natureza da economia capitalista e no seu estágio atual de desenvolvimento, como um sistema econômico mundial.
Vamos considerar primeiro o estágio atual da economia mundial, ou, do sistema, ainda, capitalista, mundial. A integração da produção, das cadeias produtivas, financeiras e de consumo, mundiais, de um modo especial com o desenvolvimento das tecnologias digitais e da internet, a integração internacional, econômica e social, associada a todos estes desenvolvimentos, tudo isto se coloca como uma rede de proteção, com a força e o poder da necessidade econômica e da vida cotidiana, contra os delírios fascistas, imperialistas e belicistas que já estão em alta, nos centros hegemônicos de poder, e ainda estarão por um bom tempo. Com relação à lógica própria do capitalismo, o fato é que ela impele ao desenvolvimento e mundialização da produção, mesmo que, em certos momentos, isto seja contrário à vontade expressa de seus representantes. Portanto, a violência econômica e militar da imposição imperialista é, ela também, apenas mais um limite, ou, uma forma limitada, para o desenvolvimento econômico mundial, para o desenvolvimento do sistema econômico mundial, e, como tal, deve ser negada pelo próprio avanço do sistema. Parece, claramente, muito difícil a aliança hegemônica dos EUA optar pela guerra imperialista sem limites, contra a Rússia e a China, porque o nível de desenvolvimento e integração da economia mundial já não é mais compatível com a postura imperialista e belicista plena, dos séculos 19 e 20, quando o sistema capitalista mundial ainda engatinhava em termos de sua integração mundial, comparado à realidade atual. Como consequência, por exemplo, as próprias corporações capitalistas transnacionais, dos setores produtivos, do comércio e aquelas do próprio sistema financeiro mundial vão se contrapor, ainda que com muitas contradições, às piores tendências do governo dos EUA contra a mundialização da produção e em favor das guerras. A posição geopolítica e econômica contra a mundialização é, hoje, muito mais anacrônica do que era há 100 anos e isto se mostra e se mostrará, mais ainda nos próximos anos, nas decisões estratégicas de mercado.
Nada disto seria, talvez, suficiente para evitar o pior da crise mundial, se não houvesse, já, se desenvolvido, dentro do próprio sistema capitalista mundial, um polo complementar e alternativo ao poder hegemônico dos EUA. As piores previsões distópicas, a possibilidade de um longo período, de várias décadas ou até mais de um século, com a permanência de extremos de desigualdade dentro dos centros da aliança dos EUA e com a regressão de todo o sistema para um longo período de domínio do fascismo, com guerras mais ou menos generalizadas e contínuas, tudo isto seria mais provável se não houvesse o polo chinês a se contrapor à tendência da crise, nos EUA e nos outros países principais da aliança hegemônica, arrastar todo o mundo para catástrofes e perdas civilizatórias sucessivas.
A China se contrapõe às tendências mais destrutivas da economia dos EUA na atualidade, simplesmente por ser tão grande no sentido econômico que já é capaz de funcionar como um ponto de apoio para que todo o mundo não tenha que desmoronar, acompanhando uma perda mais extrema na economia estadunidense. De certo modo, o tarifaço do governo dos EUA só reforça esta realidade. Enquanto o governo dos EUA dificulta a integração mundial e chantageia todo o mundo, para pagar as suas contas e para continuar aumentando os ganhos dos mais ricos por lá, o mundo, de um modo geral, encontra na China um parceiro, forte o suficiente e seguro o suficiente, para fazer negócios e alianças estratégicas e atravessar a crise dos EUA de modo mais seguro e positivo o possível. Eventualmente, até, com maior desenvolvimento econômico e ganhos sociais consistentes. Tudo isto afasta as piores possibilidades de expansão e aprofundamento extremos da crise econômica e social, mundialmente, e vai reverberar em favor dos próprios EUA, que não podem, e certamente não querem, se isolar do mundo ou de grandes parcelas do mundo. Ao contrário, todos nós queremos, ainda que de modos extremamente contraditórios, todos nós queremos a integração mundial. Ela é um bem e uma conquista de todos nós.
Além do peso econômico e estratégico que a China já exerce dentro do sistema capitalista mundial, a maior segurança que hoje nós temos, hoje, é que trata-se de uma economia socialista. Não há como negar que a grande economia, aquela que realmente faz frente e está ultrapassando a hegemonia dos EUA no sistema capitalista mundial, é um país socialista. Esta é uma novidade histórica absoluta, muito diferente, por exemplo da condição limitada e secundária da economia do subsistema soviético no século passado. Isto muda tudo e realmente tudo está mudando, agora.
Todos nós temos que estar atentos a isto, dentro do melhor entendimento que pudermos.
As coisas não acontecem na história por nenhum plano que a gente conheça ou possa pressupor, mas, também não é certo dizer que as coisas aconteçam por acaso na história Podemos predizer e atuar no que está em nosso alcance, pelo conhecimento e recursos que temos, e só. Não é um acaso que a China socialista seja a nação que emerge como potência contra hegemônica, neste momento da história, em face aos EUA.
É evidente que a posição da China, sob alguns dos principais aspectos estratégicos não é aquela dos EUA no sistema capitalista mundial. É melhor. As formas de parceria, de financiamento e de negociação, até agora, se mostraram, em geral, melhores com os chineses do que com os europeus e os estadunidenses. Isto ficou claro, já, para uma grande parte dos países. O desenvolvimento chinês está se estendendo, especialmente para o terceiro mundo, de uma maneira bem mais generosa e produtiva do que sob o imperialismo europeu e, especificamente, sob o imperialismo inglês e estadunidense. Não há dúvidas sobre isto, a não ser no nível da propaganda.
Não há dúvidas também, e isto é correlativo ao ponto anterior, que a posição da China é historicamente, bem menos belicista e bem mais de cumprimento dos acordos e das determinações dos órgãos da governança mundial. A perspectiva que a China anuncia é de ampliação das parcerias internacionais e de desenvolvimento da comunidade internacional para um futuro compartilhado. Este nível de responsabilidade histórica com a humanidade, trans geracional, certamente não pode ser atingida de uma perspectiva capitalista liberal, onde o lucro privado tem que ter o lugar de dominância inquestionável e ilimitada, sobre toda a ordem social. A superioridade da responsabilidade social é também da superioridade da responsabilidade ecológica, pois, ao capitalismo liberal é impossível estabelecer os limites necessários à lógica do lucro ilimitado, também no que toca aos riscos e efeitos de poluição e destruição ambiental. A experiência histórica das últimas décadas confirma tudo isto, mostrando como o caminho estratégico que a China descortina para a humanidade é bem superior ao dos EUA e sua aliança hegemônica.
Estas são as razões pelas quais eu posso predizer que vamos avançar em uma nova onda socializante, de modo bem mais suave do que foi no século passado. E, também, de modo muito mais intenso. Podemos prever, sem muita dúvida, que a integração e coordenação da economia mundial e as instituições e serviços de coordenação e governança mundial, em geral, terão um salto qualitativo em relação ao que se viu sob o domínio da hegemonia capitalista dos EUA. Hoje, todo este sistema vacila, mostra sua fragilidade e sua impotência diante das necessidades imperialistas no momento da crise. Mas esta é, apenas, a situação de momento que, justamente, será superada na superação da crise atual.
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