sexta-feira, 17 de abril de 2026
Sala de Situação - Segundo Semestre de 2024 A Crise e a Nova Governança Mundial - Parte 2. A Nova Governança Mundial
1. A Capelita Militar Universal
Meu pai, em seu leito de morte, delirou por um bom tempo, por uma hora ou mais, não me lembro direito, enquanto eu e uma irmã, ouvíamos. Algo que hoje, mais de 10 anos depois, veio a fazer sentido para mim. Um sentido que me parece tão claro e verdadeiro, que me faz ficar estupefato.
O delírio do meu pai dava conta, ele assim narrava, de uma grande guerra, uma verdadeira guerra das guerras, a final, definitiva, entre o exército de macacos e o exército de borboletas. Vencida, enfim, pelo exército das borboletas.
Meus olhos se enchem de lágrimas, ao lembrar disto.
A partir daí se fez uma Capelita Universal para estabelecer e garantir, enfim, a paz. Uma cúpula mundial, ou até mais ampla, pois eu não sei ao certo de qual ou quais dimensões meu pai falava, delirando no seu leito de morte.
Preciso dizer alguma coisa sobre a vida do meu pai, para uma melhor percepção do significado disto. Meu pai teve formação militar e serviu durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, felizmente, para nós, não participou de combates, porque ficou guardando a costa brasileira. Seja pelos horrores da guerra, dos quais ele não deixou de participar, seja pelo seu espírito próprio, meu pai era um pacifista radical.
A ideia sonhada pelo meu pai me lembra o mandato da ONU, da cúpula mundial, estabelecida no pós segunda guerra mundial. Mas, no presente, a ONU está fracassando completamente no seu mandato e eu sinto que o meu pai não falava do passado em seu delírio, mas sim, certamente, do futuro.
Além disto, ainda que a expressão capelita tenha até uma ressonância religiosa, ecumênica, talvez, meu pai se referia a uma cúpula mundial de exércitos, das forças militares.
Ele falava de uma Capelita Militar, isto era muito claro no seu delírio. Uma Capelita Militar Universal. Isto, eu só compreendi hoje, porque seria fundamental. Uma cúpula militar mundial. E, justamente isto, a ONU não é. Uma cúpula militar mundial real poderá ser o caminho, talvez necessário, para de fato se barrar as guerras. E é isto justamente o que a ONU não é. A ONU não é uma aliança militar e nem é ou detém uma força militar real.
Uma força militar mundial, com potência de pronta ação, o suficiente para confrontar todo e cada exército nacional e toda e cada aliança militar multinacional, poderá realmente garantir melhor a paz mundial, do que o que temos hoje. Apenas um poder igual ou maior será capaz de impor a paz entre inimigos nacionais e conter ações genocidas e colonialistas, de todo modo.
Agora, no atual momento histórico, isto parece realmente claro e até óbvio.
Ninguém respeita nem se submete à ONU, atualmente. Ela certamente não tem qualquer poder real de imposição ou dissuasão em suas mãos, nem é capaz de mobilizar forças suficientes em tempo hábil. Por isto continuamos tendo que nos haver com Xerifes Mundiais, que vão agir na arena internacional, antes das e contra as deliberações da ONU.
Os EUA, a OTAN, de um lado e de outro a Rússia, por exemplo, têm cumprido este papel, de modo mais destacado. Mas, na terra de ninguém da arena internacional no sistema capitalista mundial, na atualidade, na terra incivilizada da arena geopolítica e militar mundial, atual, em que parece que o homem é realmente o lobo do homem, cada país é um potencial inimigo de qualquer outro e pode se impor pela força, toda potência militar média ou grande exerce, de algum modo, o papel de xerife do mundo.
Assim como nas favelas, nas zonas de conflito social e miséria, em qualquer lugar do mundo, manda quem pode e obedece quem tem juízo. É o simples e imediato poder das armas. Quem tem armas, quem tem poder, exerce o seu direto naturalizado de se impor sobre os demais. E não há, nem pode haver, nesta estrutura global atual, qualquer força que realmente se contraponha ao poder dos estados mais bem armados.
Hoje, vivemos um tanto naquela situação doentia de equilíbrio entre idiotas poderosos, sentados cada qual em seu barril de pólvora, prontos para detonar o mundo todo a qualquer momento, enquanto nós, os povos em geral, e, especificamente, os povos dos países desarmados, inferiorizados militarmente e submetidos economicamente e ideologicamente, assistimos a tudo impotentes, torcendo para que os malucos no poder não detonem a guerra total com a qual nos ameaçam.
Dias atrás eu escrevi que a ONU estava morta e, portanto, que viva a ONU.
Seja qual for o caminho, a não ser à custa de destruição extrema, avançaremos para uma integração mundial, produtiva e social, em geral, ainda maior. E isto certamente exigirá recursos de governança mundial cada vez maiores e, portanto, de um modo ou de outro, a ONU terá que ser refundada.
Agora me parece claro, óbvio, foi o que eu enfim compreendi, que me veio pela memória do delírio do meu pai, terá que ser um redesenho militar do mundo, também. A ONU terá que ser recriada, também, com uma força suficiente para realmente impor e garantir o respeito às regras de convivência internacional e a paz no mundo.
Esta Nova Governança Mundial (NGM) não pode ser uma cúpula exclusivamente política, com o mandato da paz mundial, para o qual ela já provou ser impotente, falhou miseravelmente, mas também uma cúpula militar, com o mesmo mandato da paz mundial e com real capacidade militar de pronta mobilização. O suficiente para conter as guerras internacionais, assim como os processos de genocídio e limpeza étnica, prontamente, em sua insurgência mesmo.
Este deve ver, este é, eu acredito, o mandato da cúpula militar mundial que o meu pai sonhou em seu delírio, no leito de morte.
Se você acredita que esta é uma fantasia, apenas, um delírio realmente, qual te parece, então, o caminho para melhor garantir a paz, a integração e o desenvolvimento, mundiais? Vale a pena considerar que não existem muitas alternativas possíveis. Talvez, apenas duas: ou temos o domínio violento dos poderosos de plantão, dos Xerifes de momento, ou temos uma Nova Governança Mundial com força efetiva para se contrapor inclusive aos poderosos. Ou então alguém pode pretender que os poderosos vão se conter por conta própria, mas, esta ilusão a história não nos permite ter.
2. A Necessidade Objetiva da NGM
O que eu escrevi acima sobre a refundação da ONU, também como uma cúpula militar, não seria mais do que apenas um delírio mesmo, se as condições objetivas não conduzissem, não requisitassem, de fato, algo assim.
Num texto anterior, eu escrevi que a ONU fracassou em seu mandato porque era extemporânea, não havia, ainda, as condições necessárias para a implantação de uma governança mundial como a ONU se propôs a ser, justamente ao se atribuir o mandato de garantidora da paz mundial.
Estas condições não estavam desenvolvidas, no aspecto mais objetivo, porque a globalização, a integração produtiva e financeira da economia capitalista mundial ainda apenas engatinhava, perto do que, agora, ela já atingiu.
Hoje, em função da crise, as forças ideológicas e políticas liberais conservadoras, que foram uma força motriz do sistema ONU e da globalização, se tornaram mais regressivas e reacionárias, propugnando, na economia, pelo decoupling e pela guerra comercial e financeira, assim como adotando o chauvinismo nacionalista e belicista, até mesmo nas feições abertamente fascistas e imperialistas, como ideologia.
Mas, apesar disto, a trajetória de integração da economia mundial continuará adiante, a não ser, como adverti, em caso de destruição maciça da economia e até mesmo da civilização, através de grandes guerras e catástrofes ambientais globais. Não sendo assim, não regressaremos a um ponto realmente anterior ao atual estágio de globalização, de integração da economia e da sociedade mundial, ao contrário, isto se acelerará e intesificará.
Existe, portanto, uma condição econômica nova, no cenário mundial, que já não se adequa mais aos tímidos instrumentos, de gestão ou de regulação, desenvolvidos no pós guerra do século passado, sob o guarda chuva geral da ONU, ou, de algum modo, a ela associados, como o sistema de Bretton Woods e a OMC. Hoje nada disto é eficiente para o simples bom funcionamento da economia mundial e tudo isto está claramente em cheque, no atual momento histórico.
Uma Nova Governança Mundial é requerida e terá que ser constituída, por mais que os liberais conservadores, hoje, promovam toda forma de resistência ao globalismo, em todas as suas dimensões econômicas, políticas e pessoais.
A trajetória de integração mundial da economia é, e continuará sendo, progressiva e a Governança Mundial, hoje tão desacreditada, tão sucateada, tão desqualificada, na figura da ONU, terá que ser reconstituída, refeita, redefinida e reestabelecida. Em novos patamares, muito mais efetivos do que foi possível até hoje. Inclusive com a cúpula militar com gestão permanente sobre forças militares suficientes para garantir a integração e a paz mundiais, em níveis bem superiores aos atuais.
Se isto te parece um caminho irrealista, para a melhor garantia da paz mundial, hoje ainda mais efetivamente irrealista é a alternativa oposta de se buscar o desarmamento mundial. E não há outro caminho, ou um ou outro, ou o status quo atual de ausência de força e de poder de paz efetivos no mundo e de efetiva submissão da maior parte dos países e da população mundial ao poderio estratégico, militar, no fim das contas, dos países hegemônicos, imperialistas ou neocoloniais.
3. A Via Socialista
Outro aspecto da objetividade que me permite antever o desenvolvimento da Nova Governança Mundial como uma probabilidade real, ou como uma tendência efetiva, é o fato que não estamos mais no mesmo ambiente histórico, social, ideológico e econômico, do início ou da metade do século passado, não apenas pelo desenvolvimento das forças produtivas e pela integração produtiva mundial, consequente e consentânea, mas também pelo desenvolvimento politico, administrativo e ideológico que vem ocorrendo no sistema capitalista mundial, desde então.
Até mesmo nas últimas décadas, em confronto, em paralelo e de dentro das entranhas do neoliberalismo, da globalização neoliberal, que dominou o mundo nos últimos 40 anos, o socialismo se desenvolveu e encontrou o seu caminho próprio, mostrando-se, para além de qualquer dúvida razoável, como uma alternativa objetiva, factível, à barbárie liberal. Uma alternativa que se manifesta como mais pacífica, mais harmônica para a humanidade, em geral, e, o que é fundamental e absolutamente determinante, mais efetiva para a gestão da economia, para o desenvolvimento econômico.
Este novo avanço do socialismo, mundialmente, é outro fator que já nos permite antever uma Nova Governança Mundial, ao fim desta longa crise do sistema capitalista mundial, a crise da onda neoliberal, sem isto ser apenas um delírio. A Nova Governança Mundial, que necessariamente terá que se desenvolver, pelas próprias condições de produção atuais, somente será possível, de fato, com o avanço do socialismo mundial, que também é muito mais apropriado para as novas formas de produção que se desenvolveram nas últimas décadas, na globalização neoliberal.
Por um lado, o avanço da governança mundial é absolutamente necessário para a prevenção e contenção dos conflitos internacionais e para a melhora do ambiente político internacional, digamos assim, ou seja, em síntese, para a ampliação e maior garantia da paz no mundo, com isto melhorando o ambiente de negócios, de investimentos, o comércio internacional, a integração produtiva e social, assim como a gestão global do sistema. Por outro, isto só pode ocorrer, e ocorrerá, devido ao avanço do socialismo no mundo, nesta nova onda que está se inciando agora, quando estamos chegando ao fim da grande crise econômica do sistema mundial, a crise da onda neoliberal.
A Nova Ordem Mundial, a Nova Governança Mundial terá que ser, e será, portanto, muito mais socialista do que a ONU, propriamente, jamais foi. E é por isto, também, e com toda a razão, em sua irracionalidade, que os liberais se tornaram cada vez mais reativos e regressivos com relação à governança mundial, às instituições e mecanismos de controle e gestão mundiais.
Nas últimas décadas estes mecanismos e instituições foram sistematicamente mais desprezadas, ignoradas, esvaziadas e desqualificadas pelas potências liberais mundiais. Isto ocorreu porque a ideologia e as práticas propriamente liberais, ou conservadoras, na economia, atingiram seus limites e se esvaziaram pela sua impotência diante da crise.
Algo que todos nós já conhecemos, pelo que aconteceu na grande crise anterior, na primeira metade do século passado. Do mesmo modo, agora, que a crise da onda neoliberal se aprofunda e as receitas anticíclicas se mostram insuficientes e perto do esgotamento, o aprofundamento da crise e, junto com ele, o imperialismo, o fascismo e as guerras despontam como a alternativa liberal, conservadora. Agora as regras internacionais, a boa governança e a boa gestão da economia e dos conflitos internacionais se colocam como inimigas, como barreiras para os interesses do poder nos centros dominantes do sistema capitalista mundial. É, somente, com o avanço do socialismo, a nível mundial, que esta Nova Governança Mundial poderá se implantar.
4. Condicionantes e requisitos da NGM
Temos, portanto, três elementos que devem confluir neste novo patamar, nesta nova onda, no sistema capitalista mundial: a integração produtiva mundial avançada, uma nova socialização das relações sociais e o desenvolvimento da Nova Governança Mundial. Estas devem ser três forças, três dimensões, três vetores predominantes da trajetória da realidade social, histórica, nas décadas adiante.
Estes temas serão recolocados, necessariamente, agora, daqui em diante, em um patamar mais elevado, muito mais elevado, do que aquele da metade do século passado, quando as grandes guerras terminaram e se tentou fazer o grande acordo de paz que levou à constituição das Nações Unidas, à criação de instituições de regulação e gestão financeiras mundiais (os dois bancos mundiais: o BM e o FMI) e ao desenvolvimento posterior de grandes agências reguladoras mundiais (como a OMS ou a OMC, por exemplo). Todo este sistema hoje parece defasado e virtualmente inútil ou até prejudicial. Mas, em contrapartida, não creio que alguém realmente sério no mundo, hoje, imagine a vida econômica e social sem instituições de governança mundial.
O fato é que realmente precisamos de governança mundial. Precisamos é de mais e melhor governança mundial e não de menos ou nenhuma, este é o ponto.
Assim como ninguém realmente sério neste mundo acredita que se devem enfrentar as crises econômicas sem os recursos anticíclicos e de proteção social, também ninguém sério acredita que vamos avançar, que vamos ter condições de prosseguir, mundialmente, de um modo minimamente ordenado e, até mesmo, simplesmente viável, sem mecanismos de governança mundial.
Por isto eu disse: a ONU está morta, então, viva a ONU!
Mas é outra ONU, é outra coisa que tem que ser desenvolvida, são outros sistemas de regulação e promoção econômica, internacionais. Novos sistemas, obviamente, mais socialistas e mais poderosos do que aqueles emergentes do fim da segunda guerra mundial. Este é um desafio histórico do presente.
Todo um rearranjo, um verdadeiro movimento de placas tectônicas geopolíticas, está ocorrendo no cenário mundial diante dos nossos olhos e só os alienados não são capazes de ver isto. A grande potência hegemônica do sistema capitalista mundial, das últimas 8 a 10 décadas, está perdendo o seu diferencial de poder no mundo, de modo incontestável, em todos os aspectos da vida social, a um ponto em que isto parece não poder mais ser revertido.
Em muitos aspectos decisivos da economia e do desenvolvimento, em geral, os EUA já foram superados pela China e a perda da sua hegemonia não poderá ser revertida, a não ser à custa de grandes guerras e destruição cataclísmica em escala mundial, maior do o que ocorreu na primeira metade do século passado, quando mais de 100 milhões morreram nas guerras e outros 50 milhões na pandemia de gripe espanhola.
A integração mundial prossegue, ao invés de regredir, e a China é hoje o seu grande motor, muito mais do que os EUA ou a Europa. Maior do que os dois juntos. Estes fatos são incontestáveis e definitivos.
Uma nação socialista, com o controle financeiro e estratégico nas mãos do setor público, na liderança do desenvolvimento econômico mundial, pode ser e será, já está sendo, com certeza, um ponto de segurança, de apoio, fundamental, para a refundação da governança mundial, em todos os seus aspectos, incluindo a refundação completa da federação de nações, dos bancos e outros recursos de gestão das finanças e da economia mundial, em geral, assim como no tocante às diversas agências reguladoras mundiais.
Não me parece possível um avanço efetivo da governança mundial, em qualquer sentido relevante, se ela não tiver poder militar e financeiro para realmente ser algo definidor no cenário mundial. Só assim esta governança, a nova ONU, ou, seja qual for a forma institucional que isto tomar, terá real relevância no tabuleiro geopolítico mundial e poderá realmente ser garantidora de uma, maior e mais duradoura, paz mundial. E só assim poderá retomar o seu papel estratégico, fundamental, como ordenadora e reguladora dos assuntos internacionais, no campo da saúde, das migrações, da preservação do meio ambiente e de tudo o mais. Será, por tudo isto que expus, necessariamente, uma governança mundial mais poderosa e mais socialista do que os tímidos instrumentos e instituições que emergiram a partir de 1945. E reitero, é realmente também por isto, que os liberais a temem e a odeiam, mesmo antes dela existir.
Um aspecto central desta evolução da governança mundial será o seu caráter mais radicalmente globalizado, mundializado, ou multilateral, como gostam de chamar hoje em dia. E neste campo, justamente, os aspectos militar, financeiro e de tecnologia de informação e comunicação, incluindo redes sociais e IA, despontam como absolutamente cruciais. Nestes campos, justamente, não podemos mais ficar sujeitos a qualquer forma de poder imperial e aos conflitos entre os poderes imperiais.
Os Xerifes do mundo sempre serão, também, os bullies do mundo. Não podemos, ninguém pode mais, aceitar que o poder militar esteja concentrado exclusivamente nas mãos de uma nação, ou de um pequeno conjunto de nações, que exercem, como querem, os privilégios que o maior poder armado lhes confere. Isto é, com certeza, uma condenação da maior parte dos países e, sobretudo, da maior parte dos povos ao domínio de um, ou de um punhado, de bullies imperiais.
Muitos agora pedem e estão encontrando na Rússia o novo xerife, que está lhes ajudando a se libertarem do domínio imperial colonialista. O maior exemplo disto são as nações do Sahel, onde está acontecendo, uma grande mudança geopolítica na atualidade, com a sua libertação do domínio Francês e Norteamericano, por meio da insurgência armada, com apoio russo. Mas a qual custo? Será a substituição de um bully superpoderoso por outro? A história o provará. Tomara que não e, provavelmente, não será assim, justamente porque estamos iniciando uma nova etapa histórica.
5. O predomínio da China Socialista
Até agora, em toda a história do capitalismo mundial, da modernidade, a substituição de uma nação por outra na hegemonia mundial, na liderança, no predomínio, na economia e geopolítica do mundo, culminou com a substituição da moeda do país hegemônico, até então, pela moeda da nova maior potência mundial, como moeda mundial, de reserva e de trocas. Do mesmo modo, obviamente, também o maior poderio militar passou das mãos da potência ultrapassada para aquelas da nova superpotência mundial. E, até agora, isto sempre foi acompanhado, de grandes guerras. Ainda que não diretamente entre as duas potências na transição da hegemonia mundial.
Mas, agora será diferente. Será pela via socialista, com o predomínio da China. Objetivamente, isto quer dizer, por exemplo, que a China deverá abrir mão destes dois símbolos e instrumentos de dominação internacional, em nome da Nova Governança Mundial.
Somente um sistema financeiro mundial, com um sistema de trocas, uma moeda, ou cesta de moedas, ou valor de referência, como queiram, realmente mundial, e um poder militar, igualmente mundial, e não de um país, ou de um grupo de países, apenas, serão adequados e suficientes para garantirem um melhor funcionamento e desenvolvimento da economia mundial, do sistema econômico e social mundial no futuro próximo.
Todas as evidências do presente dão conta que os EUA já estão perdendo ou já perderam, irremediavelmente, a sua hegemonia econômica e, portanto, geopolítica no mundo.
A minha aposta é que a transição de hegemonia no palco mundial será, desta vez, diferente do modelo anterior, identificado por Ray Dalio, por exemplo. E será diferente porque terá em sua ponta de lança não outra nação capitalista e, portanto, imperialista, como foram todas as anteriores nos últimos 400 anos.
O fato da China ser socialista e a realidade de sua postura no cenário mundial nos permitem prever que desta vez não será mais uma transição imperialista capitalista. Portanto, não poderá ser a transição para o poder concentrado nas mãos de uma única nação ou para uma pequena federação de nações dominadoras, imperialistas, no mundo.
A China socialista, por sua experiência e por sua postura no mundo, nos mostra que este não pode ser e não será mais o caminho. Mas, a China, ao abrir mão da concentração de poder econômico e militar, de modo absolutamente hegemônico e exploratório ou dominador, nas suas mãos, não deve, também, permitir que isto se realize pela concentração do poder em alguma moeda e potência militar nacional.
Não, teremos realmente que construir esta transição para uma força, ou forças, enfim, supranacionais, potentes o suficiente para se imporem no cenário mundial de conflitos crescentes, envolvendo as grandes potências mundiais. Creio que, afora este, não há outro caminho, senão o das grandes guerras, como ocorreu na primeira metade do século passado.
Não foi a China que encontrou o Socialismo, mas sim, foi o Socialismo que encontrou a China. Por mais que isto fira o orgulho chinês, o Socialismo, o Movimento Socialista Mundial, ou, no limite, o movimento comunista, o movimento anarco-comunista, enfim, mundial, é maior do que qualquer país isoladamente. Creio que a China Socialista reconhece isto e não colocará uma arrogância nacionalista imperialista à frente do seu papel único de liderança do movimento socialista no momento de uma grande vitória mundial, que está se iniciando agora, nestes momentos finais (o que ainda pode durar décadas) da grande crise econômica do sistema capitalista liberal, que vem desde 2007.
À época do fim da URSS havia um judoca brasileiro que praticava muito a técnica de sacrifício, em que ele entregava a posição, se colocava em posição de inferioridade, momentaneamente, para, ao fim do movimento, sair em uma posição superior, vencedora. Eu entendi que era isto o que estava acontecendo com o Movimento Socialista Mundial, um momento de sacrifício e eliminação de caminhos errados. Um novo caminho surgiria, adiante. O Movimento Socialista Mundial ressurgiria mais forte, mais efetivo, superior.
Foi realmente assim que aconteceu e isto já se mostra evidente agora, quando a nova onda liberal termina a sua trajetória, se destroçando em crises sistêmicas e guerras, a economia real, ligada à China Socialista, já tinha erguido uma alternativa econômica viável e estrategicamente sustentável. E agora, que a crise leva a via liberal realmente ao ponto de poder inviabilizar até a vida humana na terra, ou torná-la completamente miserável para todos, com destruição climática e grandes guerras simultaneamente, agora, o avanço mundial do movimento socialista será ainda maior do que foi no pós-guerra do século passado.
Definitivamente, as estruturas de poder mundial serão completamente outras, tendo a China Socialista e muitos países independentes, como forças predominantes, e não a tradicional aliança das potências imperialistas. Certamente isto não poderá se resolver no núcleo paralítico do conselho de segurança, composto por grandes potências nucleares, apenas.
6. O papel dos BRICS e de outras Federações ou Alianças Internacionais, no momento contraditório de bipolaridade na trajetória da NGM
Os Brics já cumprem um papel muito importante nesta transição do eixo hegemônico do mundo e talvez sejam até a via pela qual uma nova governança se desenvolverá. Certamente cumprirá um papel positivo importante neste sentido. A OTAN, ao contrário, nunca poderá cumprir um papel positivo neste sentido. Ela é uma associação, uma federação, militar, de defesa, portanto pressupõe a cisão a contraposição, o conflito e, no limite, a guerra entre as nações e não o concerto delas em uma governança global. A OTAN terá que ser submetida, assim como todas as outras alianças militares, ao poder global. O poder militar global, a sua capacidade de mobilização e pronta ação, deverá ser, no mínimo, o equivalente da OTAN ou de qualquer país do mundo, de modo a dissuadi-los a agir de forma autônoma, independente do poder global, como hoje fazem.
O papel histórico dos Brics só começou a aparecer e, certamente, ele crescerá muito, mas de todo modo não poderá substituir a governança global e deve, ao contrário, se aliar e alinhar a ela o mais rápido possível.
Temos, portanto, esta imensa tarefa diante de nós: (re)fundar a governança global e (re)estabelecer o seu funcionamento o mais pleno possível e conforme as necessidades econômicas e sociais do presente e futuro próximos. Isto significa refundar e reestabelecer não apenas a federação mundial, mas também todas as suas agências reguladoras que hoje se encontram completamente sucateadas e fracassam miseravelmente em seus mandatos, seja na área comercial, seja na área da saúde, seja na área da segurança etc..
Sob qualquer ângulo, a necessidade imperiosa da melhor governança mundial é contraposta aos discursos e práticas de fragmentação, oposição e conflito entre as nações, que se disseminam e prevalecem, invalidando praticamente qualquer possibilidade do sistema da ONU operar efetivamente, fazendo diferença real, no mundo hoje. Mas, o avanço da economia mundial no sistema capitalista segue forçando a maior integração e associação produtiva internacional, por mais que forças políticas hegemônicas agora operem em sentido contrário.
No entanto, parece que a gente pode já vislumbrar ou perceber um mundo efetivamente bipolar nos próximos anos e, provavelmente, décadas, infelizmente.
Quase que dá para ver as placas tectônicas da geopolítica se acomodando, se colidindo e se separando em dois grandes blocos. Praticamente estamos vendo o leste europeu se rachando ali onde os dois blocos se tocam e se conflitam, agora. Não é difícil antever que isto marchará para mais e maiores guerras, se não houver alguma mudança no curso espontâneo dos conflitos imperialistas.
Se se tratasse de um país hegemônico, de um bloco de poder e dominação, capitalista imperialista, de um lado, como de fato se trata, e do outro, do mesmo modo, outro país ou bloco de poder capitalista imperialista, estaríamos, eu creio, condenados a algum nível de destruição equivalente aquela da primeira metade do século passado, mas, com muito mais poder destrutivo em ação.
Felizmente essa não é a realidade.
Podemos duvidar, com toda razão, se ao fim e ao cabo todo o projeto russo hoje não deva ser classificado também como capitalista imperialista, como o são os projetos associados de EUA e UE, da OTAN, enfim, e de Israel. Isso é matéria para muito questionamento e muita reflexão séria. Mas, ninguém pode afirmar, de modo algum, pelas evidências históricas e objetivas do presente, que a China seja também, apenas mais uma potência capitalista imperialista buscando a sua hegemonia. Não, a China não é isto. É uma potência socialista assumindo a proeminência na economia e em tudo o mais que é vinculado e consequente a isto e é claro que na aliança entre a China e a Rússia, ou na aliança dos Brics em geral, e até mesmo no mundo ou numa aliança das nações, em geral, agora somente a China é, e pode ser, o polo vetor, predominante.
7. Colonialismo e imperialismo. O Brasil sob o Império dos EUA. O Brasil, a Índia e outros países independentes na polarização mundial
É tão absurdo que ainda hoje no século XXI adentro, a gente ainda esteja lidando com o sistema colonial francês e os seus problemas. A história terá que registrar que na Nova Caledônia, assim como no Sahel e muitos outros pontos da África e, também, aqui nas Américas, a presença colonial da França ainda se mostrava viva nos anos 20 do século XXI. Isto só confirma como a realidade histórica é contraditória, fragmentária e nunca se desenvolve de modo linear ou homogêneo.
O imperialismo é uma forma de colonialismo, mesmo que não sob a forma de dominação politica direta. Nós aqui no Brasil somos obrigados a saber disto, a não ter dúvidas disto. O imperialismo, primeiro britânico e depois norte-americano, aqui, para nós, sempre foi uma forma de colonialismo. Vassalagem e submissão.
Não há como contestar isto, aqui.
No limite, a economia, a política e as forças armadas brasileiras se submeteram ao poder norte-americano, desde a segunda guerra mundial, pelo menos. Isto, para o pensamento de direita brasileira, para a doutrina atual das nossas forças armadas, para a maior parte do nosso empresariado, ainda aparece como absolutamente natural e incontrastável. E não é mesmo fácil se livrar disto, da submissão colonial, da vassalagem, diante da potência superior, da maior potência ou, até, da única grande potência mundial, como foi os EUA no século passado, a partir da segunda guerra mundial.
É verdadeiramente normal que os países mais próximos se submetam ao poder dominante, econômica e militarmente, inclusive por sua interferência política direta, por sua influência cultural e em todas as áreas da vida social. É muito difícil se contrapor a isto. Objetivamente, para a maioria dos países na história, isto tem sido realmente impossível.
Mas as coisas se tornam diferentes na decadência da potência imperialista. E estamos, realmente neste momento da história, quando a dominância norte-americana está se reduzindo a cada dia e já não parece ser mais tão efetiva, nem econômica e nem militarmente. Ou seja, a hegemonia está deixando de existir, em parte já não existe mais, de fato. Logo, é claro que toda a sua estrutura de vassalagem irá ser remodelada, irá acabar. Não há como uma potência decadente manter o seu poder de influência e constrangimento no mundo e nem mesmo no seu quintal. Aqui, também, isto vai mudar nos próximos anos e nas próximas décadas.
O fato da presença econômica da China no Brasil, e no mundo em geral, estar se tornando objetivamente maior do que a norte-americana impõe uma agenda objetiva, comercial e de investimentos, econômica, que muda o direcionamento estratégico das forças sociais aqui no Brasil e no interior dos mais diversos países, mundo afora.
Agora parece claro, incontestável, que há um poder, uma aliança de potências, que se contrapõe aos EUA, à aliança EUA-UE, à OTAN. Isto só é possível do ponto de vista militar, porque já é real do ponto de vista econômico. A aliança China-Rússia e associados realmente se contrapõe militarmente aos EUA, à OTAN e associados, porque já é suficientemente grande, já é equivalente ou superior à Aliança do Oeste ou do Norte Global. E isto é assim, por um motivo: a grande ascensão econômica da China Socialista. Isto chegou a um nível que realmente todo o poder, todo o domínio, toda a hegemonia, todo o império norteamericano, e das potências associadas, está sendo questionado, superado, suplantado, no mundo. Nada disto existiu antes, nem mesmo no auge da potência das URSS.
Esta bipolaridade no sistema geopolítico mundial é o que está diante de nós, mas, ao mesmo tempo, ela é impossível, ela não é mais possível dada a integração econômica mundial. Ela será uma forma completamente transitória, no entanto, podendo durar décadas. E as guerras persistirão, então, muito provavelmente, nos pontos de fricção deste mundo bipolar.
Ao identificar uma bipolaridade em nível estratégico no plano mundial, no nível geopolítico, é claro que isto tem uma base econômica no confronto entre as duas grandes potências mundiais do momento, por exemplo na fronteira tecnológica, na área de processamento de megadados e inteligência artificial, parece que apenas as redes instaladas e a tecnologia hoje implantada em EUA e China podem realmente processar as informações como necessário para o pleno funcionamento destas tecnologias que, de um modo ou de outro já estão, e estarão cada vez mais, presentes em todas as áreas da produção e da vida social em geral.
Com certeza, nesta cisão bilateral do mundo, a posição de estados que tradicionalmente se colocam como independentes ou não alinhados, hoje, é definidora, será definidora no curso da história próxima. Entre estes a Índia, o Brasil, a Indonésia, o México, por exemplo, são e serão muito importantes.
Talvez logo não sobre mais espaço para a neutralidade, nessa divisão mundial e o Brasil, por exemplo, terá que se posicionar.
Mas, vamos lembrar que, realmente, nada é linear e homogêneo no desenvolvimento histórico. Então, o processo de decadência do império americano está em curso e se manifesta de forma desigual em regiões e localidades diferentes. Aqui no Brasil, nas Américas, enfim, temos boa parte das nossas elites, boa parte do poder econômico, militar e político completamente alinhados aos EUA. E mesmo aqueles que estão do outro lado do espectro político e ideológico, não parecem conseguir a clareza e a consistência para colocar em cheque o predomínio dos EUA no nosso território e sobre a nossa população. Ainda somos vassalos dos EUA e submetidos ao seu poderio.
Mas, a história realmente mudou e mesmo nós aqui teremos que nos mover no sentido da mudança inevitável da hegemonia no mundo. Não digo com palavras, mas com fatos, com mudança histórica real.
O alinhamento das forças armadas brasileiras com o comando norte-americana é, portanto, um dos principais problemas que nós, como nação, temos diante de nós, Desfazer rapidamente e decididamente este alinhamento militar automático com os EUA será muito importante para nós. Mas, não há possibilidade de nós nos tornamos, em curto ou médio prazo, uma potência militar realmente autônoma no mundo. Não vejo esta possibilidade nos próximos 10 ou 50 anos, para falar a verdade. Por outro lado, não temos porque sairmos da submissão militar estratégica aos EUA, para nos submetermos, nos alinharmos militarmente, a qualquer outra potência muito superior à nossa. Não precisamos e não devemos fazer isto. Como, então, alcançaremos alguma autonomia, estando justamente no campo de domínio territorial da maior potência militar do mundo?
Para nós, do ponto de vista militar, para os nossos militares, o nosso alinhamento e, portanto, a nossa submissão à potência militar norte-americana podem parecer inevitáveis e praticamente automáticos. Em uma visão militar e estratégica parece que nós não temos sequer outra opção, sempre foi assim e deve mesmo ser assim. Aceitamos, tacitamente, a supremacia norte-americana como natural e inquestionável. Temos, é óbvio, o discurso político e militar da nossa soberania, da independência e autonomia do país, da nação brasileira. Mas não é esta a realidade histórica. Simples assim e isto não é posto em dúvida, eu creio, por ninguém realista, por ninguém que se atenha mais aos fatos do que aos discursos. Infelizmente, no mundo imperial em que vivemos, somos vassalos dos EUA. No limite, eles fazem aqui o que querem e nossas forças armadas estão alinhadas com eles e prontas a servir sob o comando norte-americano.
Negar isto me parece uma tolice. No meu raciocínio esta foi uma das variáveis determinantes para prever que não haveria golpe fascista em 2022 / 2023. O Estado Maior norte-americano não deu o de acordo, eles não aderiram à aventura fascista aqui, naquele momento. E, sem a autorização e o comando do império, a força avassalada não atua.
É assim e não me parece que temos, como eu disse, como sair disto por conta própria, nos tornando uma potência militar nos próximos anos ou décadas. E nem devemos mesmo ir por este caminho miserável. A nossa fraqueza, aqui, talvez nos facilite a encontrar o caminho certo.
A princípio devemos ser pacifistas, pois é do nosso máximo interesse. Devemos ser pacifistas sim, devemos defender intransigentemente a paz, pois não temos, objetivamente, nenhum interesse em entrar em guerras de lado algum. Mas sabemos, por vias muito diferentes, que não podemos estar indefesos, desarmados, neste cenário de guerras e possibilidades crescentes de guerras.
Vamos, então, todos, entrar na corrida bélica que a condição atual parece nos impor? Não, não podemos e não devemos fazer isto.
Ao contrário, devemos incentivar, desenvolver e aproveitar as possibilidades e os ganhos da paz socialista, sobre o predomínio do conflito, disseminado e sem controle, da crise imperialista capitalista que estamos vivendo.
A formação de uma força mundial, de governança e militar, é fundamental para isto. É a saída legítima e digna para o Brasil e para todos os países submetidos às superpotências bélicas. Nós não queremos e não devemos ir por este caminho estúpido e bárbaro de nos armarmos até os dentes para atacar os outros povos. Essa demência tem que acabar e não vai ser numa corrida amalucada e desesperadora para que cada país dominado adquira os níveis das superpotências militares, para poder livremente atacar e se defender no campo geopolítico.
A corrida armamentista, essa insanidade, está, no entanto, na rationale de grande parte dos pensadores militares, geopolíticos, estrategistas e economistas mundiais. Uma aceleração da corrida insana pelo maior poder militar. Obviamente isto não pode dar em algo bom. Mas os cretinos, os cínicos, com toda a sua razão, defendem este tipo de corrida assassina, mutuamente suicida.
Agora me parece bem claro que, se tem algo que pode e vai reduzir este ímpeto militarista, mutuamente destrutivo e suicida, será, paradoxalmente, ou surpreendentemente, justamente a constituição de uma força militar mundial, da capelita militar mundial, com força de pronta ação igual ou superior àquela de qualquer país ou aliança militar. Este é o sentido final do delírio do meu pai no seu leito de morte. E hoje isto me parece realmente a melhor racionalidade possível diante dos desafios em que estamos. Sobretudo do ponto de vista de todos nós, países e povos secundários e submetidos ao poderio militar alheio.
Para nós, não é interessante apenas aumentar as nossas forças militares, para competir no cenário mundial. Não vamos conseguir nada com isto, a não ser dentro de uma aliança. E não é interessante para nós entrar em nenhuma aliança militar e nem fomentar uma corrida armamentista, como está em curso no mundo agora. Precisamos desescalar estes movimentos e não jogar mais recursos neles. Em defesa dos interesses dos nossos povos, nós sabemos que temos que propor e conquistar a paz e não as guerras. Precisamos avançar na governança global e não na sua fragmentação e negação como está em curso no mundo, agora.
No século passado isto foi conquistado à custa de guerras e catástrofes sociais que resultaram em mais de 150 milhões de mortes. E, infelizmente, foi uma conquista ainda muito formal apenas, e muito limitada na realidade, sem os meios para estabelecer o que propunha fazer, sem os instrumentos para fazer cumprir o seu mandato. A ONU fracassou. Mas, até o seu fracasso, foi um sucesso. Basta ver o aumento do comércio internacional e do investimento externo desde a sua criação. Até agora tivemos, no mundo em geral, muito menos mortes por conta de uma pandemia e por conta das guerras do que aconteceu no século passado. Mas, ainda não saímos da crise. Agora precisamos ir adiante e além da ONU.
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