quarta-feira, 9 de abril de 2025

Uma reflexão sobre a questão da universalidade na pessoa mediana

AS GRANDES QUESTÕES DO NOSSO TEMPO A questão da universalidade na pessoa mediana Parece que em todos os tempos anteriores, nas diversas civilizações, a pessoa mediana estava, certamente e necessariamente, bastante afastada da universalidade humana, que, por seu turno, faria presença principalmente nas elites, tanto na fantasia, quanto na realidade. Na nossa história, apenas as culturas tribais seriam momentos em que a universalidade estaria integrada à pessoa mediana, quando a universalidade e a individualidade aparecem, de modo muito decisivo, como naturais ou imediatas, apenas. Em certa medida, até, em todas as formas sociais pré capitalistas nós temos uma individualidade e uma universalidade humanas ainda muito mais atadas à determinação natural imediata do que agora. Tanto no desenvolvimento material, que se reproduzia mais ou menos igual por milênios, quanto na cultura, com a posição dos indivíduos determinada, em geral, com muito mais rigidez, pela condição de nascimento de cada um dentro da sociedade. Com isto eu atinjo o segundo ponto que hoje me toca como grande questão. A emergência do universal com o capitalismo, através do desenvolvimento do mercado e da finança, ao ponto de abarcar todas as esferas da produção e, de certo modo, de toda a vida social. A emergência do universal e do individual, sob a forma burguesa ou capitalista é a emergência, de algum modo, da própria existência humana e, se você quiser, do gênero ou da humanidade, como um sistema social único e interligado, em todos os mercados nacionais e, enfim, no mercado mundial. A universalidade e a individualidade humana, assim, postas e desenvolvidas no sistema capitalista, que se torna, progressivamente, mais e mais objetivamente, mundial, são, no entanto, universalidade e individualidades em geral, o universal e o mediano, de qualquer modo, muito alienados para o que nós podemos divisar, já, certamente, pelo que desenvolvemos antes, em toda a nossa história civilizada, e, sobretudo, com o próprio capitalismo. O sistema capitalista é baseado na concentração de riqueza e poder no setor empresarial e financeiro da sociedade, de forma privada, ou, dito de outro modo e, idealmente, a riqueza e o poder livremente regulados, distribuídos e concentrados, pelo mercado. O mercado é a forja universal capitalista e a forja do universal capítalista. Tudo se representa em dinheiro e o dinheiro congrega tudo e todos nós. Tudo e todos somos iguais pelo dinheiro e no dinheiro. Tudo se dissolve em um universal pelo mercado e é no mercado que se forma a molécula universal do sistema social capitalista. Neste aspecto determinante, o nosso universal se forma pela nossa comunhão global no sistema produtivo que só se torna possível e real com o desenvolvimento do dinheiro e do capitalismo. Uma individualidade universal se forma através da integração mundial, pela constituição e desenvolvimento do mercado mundial, um caminho para o maior desenvolvimento da integração da comunicação e da produção mundiais. A universalidade forjada no mercado é, sempre, a posteriori, sempre estabelecida apenas na realização mercantil, na venda, da produção e dos produtos e bens em geral, inclusive a força de trabalho. Portanto, sempre muito suscetíveis a crises de realização. Quando, justamente, o caráter universal, humano, dos produtos ou da força de trabalho, pode ser recusado, sendo eles rejeitados no mercado. A economia de mercado é, e será sempre, muito suscetível a crises, em um nível muito elevado, tão maior quanto mais seja uma economia propriamente de mercado, ou, liberal. Que uma pessoa mediana se sinta mesmo muito rejeitada e dissociada da sociedade, quando não encontra condições de trabalho e renda, é bastante evidente. A forma própria da universalidade capitalista é, no entanto, sempre sujeita a estas crises, individuais e coletivas, extremas. Para mim, parece razoável avaliar, portanto, que a pessoa mediana rejeita, bastante, os níveis de incerteza e a frequência e a gravidade das crises que marcam o capitalismo e rejeitará progressivamente mais, mas quer, certamente, e também progressivamente mais, o avanço tecnológico e a integração mundial, por mais que tantas visões regressivas e excludentes, tradicionalistas, religiosas e nacionalistas, sejam características da pessoa mediana ainda hoje. Tenho certeza que esta questão foi abordada, de inúmeras maneiras diferentes, com terminologia e lógicas completamente diversas, mas de todo modo, percebidas e de um modo ou de outro consideradas por todas as escolas da filosofia social e sociologia dos últimos séculos. Vários séculos. Não é o meu objetivo considerar nenhum deles mas apenas a realidade objetiva do nosso tempo.

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