terça-feira, 22 de abril de 2025
A GRANDE CRISE MUNDIAL
A GRANDE CRISE MUNDIAL
As coisas estão num movimento intenso, no plano mundial, agora, mais do que em qualquer outro momento durante a minha vida. E eu não sou exatamente novo, tenho 61. Posso sentir a eletricidade do momento histórico na minha pele. O momento é crítico, é agudo. Da minha parte, pela minha formação, até, eu tenho a obrigação de analisar este momento, da forma mais séria, mais realista, mais concreta o possível.
O que de fato está acontecendo agora? Porque idiotas e pilantras absolutos estão no poder nos países com maior renda percapita do mundo, hoje? Na aliança EUA-EU, propagadores da guerra anunciam todo dia o aumento dos gastos militares e o investimento nas mais poderosas armas que conseguirem. Isto não necessariamente vai terminar em grandes guerras, mas é um risco a mais, certamente. As grandes blitze tarifárias do governo dos EUA já são um ato de guerra e a guerra comercial contra a China já vinha de antes, num claro conflito pela hegemonia no sistema mundial.. Mas, tem algo mais determinante, que vem antes, na determinação deste momento crítico. É a crise econômica do fim da onda neoliberal. Isto tem muito pouca gente vendo, contudo. Praticamente ninguém, apesar de ser tão evidente. Às vezes o óbvio é tão claro que cega as pessoas, ou as pessoas estão cegas por outros fatores e não veem, o fato é que enxergam, mas não são capazes de ver. Toda onda liberal no sistema econômico leva, inevitavelmente, a uma concentração da riqueza, progressiva e ilimitada, isto está na essência da lógica econômica liberal e a história comprova. A onda neoliberal não foi diferente. Chegamos, agora, a um nível extremo de concentração da riqueza, nos países mais ricos mesmo, até um ponto em que fica muito difícil a economia seguir girando. Uma crise de realização generalizada é esperada nestas circunstâncias. Em minha análise, já estamos nesta grande crise desde 2007. A solução liberal, ou natural, desta crise no sistema capitalista se dá através de grandes recessões, desemprego, empobrecimento, quebras de setores da economia e grandes crises sociais, incluindo guerras. Neste momento as decisões mais estúpidas, improvisadas, corruptas, arriscadas e destrutivas podem ser e vão, necessariamente, serem tomadas, sempre levando à recessão. A crise atual está controlada, ainda, pelos mecanismos anticíclicos, de regulação da economia e proteção social, mas eles estão se esgotando. A crise só será superada de fato, com a redistribuição da riqueza e o avanço no controle social da produção e finanças mundiais, quer dizer, com uma nova onda socializante no sistema, como ocorreu no século passado, mesmo que para isto tenhamos que passar pela imensa destrutividade das grandes depressões e guerras, que devem ocorrer, se o sistema persistir no caminho liberal.
Se não entendemos esta condição econômica de base, não podemos entender o risco crescente de guerras, ou o ascenso da uma extrema direita, nacionalista, neofascista, onde despontam clowns, cínicos, canalhas explícitos como líderes políticos que, enfim, falam "a linguagem do povo” que está doutrinado a direcionar suas frustrações, por ter ficado à parte do grande desenvolvimento na fase final da onda neoliberal, mais pobre e sem perspectivas do que há décadas atrás, contra um inimigo forjado, seja a ideologia queer, seja as políticas globalistas, sejam os migrantes ou, um país estrangeiro. Estas figuras estúpidas, grosseiras e grotescas, que passaram a ocupar grande espaço no cotidiano político do mundo ocidental, são um produto e um veículo da crise econômica. Seu desígnio é levar adiante, impor, pela farsa e pela força, a doutrina liberal, mesmo quando ela só pode conduzir ao aprofundamento da crise, que já está no seu extremo. São as bestas do apocalipse, mesmo, e são personagens inevitáveis em uma situação como esta em que estamos. A crise precisa ser aprofundada, dentro da lógica econômica liberal, para ser resolvida. Eles são veículos para acelerar isto. São os líderes políticos apropriados para conduzir à crise, à recessão e à guerra.
A doutrina liberal é a doutrina própria, profunda ou essencial do capitalismo e eles acertadamente apontam como sendo socialismo, tudo o que sai deste caminho estreito e estúpido. De fato, desde as primeiras conquistas de direitos coletivos dos trabalhadores, desde o primeiro ato de seguro dos depósitos bancários, desde as primeiras ações afirmativas, de reparação e promoção social, estamos saindo do capitalismo, mesmo que sejam estas medidas justamente que estão salvando o capitalismo das crises mais extremas e destrutivas, ainda hoje. E acontecerá assim novamente. As tentativas de manutenção, a todo custo, da ordem, da ideologia, liberal, no sistema capitalista mundial, resultarão em ainda mais derrotas, em mais fracassos econômicos e geopolíticos dos países mais ricos do sistema. É da lógica mesma desta condição que, pressionados ao limite os seus líderes, mesmo os que agora falam em paz, logo serão os maiores arautos da guerra. Mas, em contraposição, o sistema econômico tem, já, na China, socialista, um ponto de apoio suficiente para ultrapassar esta crise do fim da onda neoliberal, de modo muito menos destrutivo do que foi ao fim da onda liberal no século passado.
Não é mais possível evitar a hegemonia da China no sistema capitalista mundial, ela já é real em tantas áreas, na indústria e no desenvolvimento técnico-científico, enfim, ao menos temos claro que viveremos um período de hegfemonia dividida entre os dois grandes polos, China e EUA. Os EUA, representam o poder que está sendo superado e, por isto mesmo, investem, desesperadamente mais, na imposição bruta de poder e na quebra dos sistemas de controle transnacionais. A vitória da China, nesta guerra comercial, que já aparece bastante segura, também acelerará a superação de todo o sistema imperialista estadunidense e terá que, em contrapartida, levar rapidamente, também, a novas estruturas, novos sistemas, de gestão transnacional da economia mundial e também à melhor distribuição de renda, assim como da riqueza e do poder reais, no mundo e dentro das sociedades.
Posso dizer isto pelas necessidades do sistema econômico e pelo histórico recente da China, seja no plano geopolítico e estratégico, em nível mundial, seja pelo prisma, mais do que fundamental, e sempre esquecido ou negado sob a ideologia liberal, da distribuição de riqueza. É fato que na onda neoliberal a concentração de riqueza na China cresceu exponencialmente, atingindo níveis muito próximos daquela dos EUA Mas, também é verdade que, desde 2014, ela parou de crescer e, recentemente, começou a regredir na China, enquanto persistiu aumentando nos EUA. A tendência, na China, já é, explicitamente, de maior redistribuição, com um foco mais intenso no consumo doméstico, enquanto nos EUA, agora, os bilionários lutam com garras e dentes para manterem e aprofundarem seus ganhos, socializando as perdas. Seja como for, é sempre bom lembrar que países como o Brasil têm concentração de riquezas muito maior do que aquela da China ou dos EUA.
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