sábado, 10 de janeiro de 2026
A GRANDE CRISE MUNDIAL Sala de Situação Abril 2025.
A GRANDE CRISE MUNDIAL
Sala de Situação Abril 2025. Parte 1
As coisas estão num movimento intenso, no plano mundial, agora, mais do que em qualquer outro momento da minha vida. E não sou exatamente novo, tenho 61. Posso sentir a eletricidade do momento histórico na minha pele, o momento é crítico, é agudo, mas não necessariamente vai desembocar em uma grande guerra ou grandes guerras sucessivas.
Da minha parte, pela minha formação, até, eu tenho a obrigação de analisar este momento, da forma mais séria, mais realista, mais concreta o possível.
O que de fato está acontecendo agora.
Porque idiotas e pilantras absolutos estão no poder nos países com maior renda percapita do mundo, hoje? Na aliança EUA-EU, propagadores da guerra anunciam todo dia o aumento dos gastos militares e o investimento nas mais poderosas armas que conseguirem. Isto não necessariamente vai terminar em grandes guerras, mas é um risco a mais, certamente. As grandes blitze tarifárias do governo dos EUA já são um ato de guerra e a guerra comercial contra a China já vinha de antes. Na verdade, o aumento de ações unilaterais e claramente imperalistas pelos EUA já vinha de anos anteriores e se acentuou gravemente no presente governo. Isto é correspondente à relativa decadência, à queda relativa do poder dos EUA no mundo nos últimos anos e décadas. Atos de força e violência são mesmo esperados na tentativa de impor e preservar um poder decadente, a partir de um certo ponto desta decadência.
Tem algo mais determinante, no entanto, que vem antes na determinação deste momento crítico. É a crise econômica do fim da onda neoliberal. Isto tem muito pouca gente vendo. Praticamente ninguém, apesar de ser tão evidente. Às vezes o óbvio é tão claro que cega as pessoas, ou as pessoas estão cegas por outros fatores e não conseguer ver. Toda onda liberal no sistema econômico leva, inevitavelmente, a uma concentração da riqueza, progressiva e tendencialmente ilimitada. Isto está na essência da lógica econômica liberal e a história comprova. A onda neoliberal não foi diferente. Chegamos, agora, a um nível extremo de concentração da riqueza, nos países mais ricos, mesmo, até um ponto em que fica muito difícil a economia seguir girando. Uma crise de realização generalizada é esperada nestas circunstâncias. Em minha análise, já estamos nesta grande crise desde 2007. A solução liberal, ou natural, desta crise no sistema capitalista se dá através de grandes recessões, desemprego, empobrecimento, quebras de setores da economia e grandes crises sociais, incluindo guerras. Neste momento as decisões mais estúpidas, improvisadas, arriscadas e destrutivas serão, necessariamente, tomadas, sempre levando, ao fim, a fracassos e à recessão.
A crise atual está, no entanto, controlada, ainda, pelos mecanismos anticíclicos, de regulação da economia e de proteção social, mas eles estão se esgotando e a crise só será superada, de fato, com a redistribuição da riqueza e o maior controle social da produção, quer dizer, com uma nova onda socializante no sistema, como ocorreu no século passado, mesmo que para isto tenhamos que passar pela imensa destrutividade das grandes depressões e guerras, que irão necessariamente ocorrer enquanto persistirem no caminho liberal.
Se não entendemos esta condição econômica de base, não podemos entender o risco crescente de guerras, ou o ascenso da uma extrema direita neofascista, onde despontaram, em algumas partes do mundo, clowns cínicos, bandidos e canalhas explícitos como líderes políticos que, enfim, falam "a linguagem do povo". Um povo que, nos próprios países ricos, ficou à margem ou usufrui realmente muito pouco do grande desenvolvimento tecnológico da onda neoliberal, sobretudo nesta fase final, que está mais pobre e sem perspectivas do que há décadas atrás e que está doutrinado a direcionar suas frustrações contra um inimigo forjado, seja a ideologia queer, sejam os globalistas, sejam os migrantes ou um país estrangeiro. Estas figuras estúpidas, grosseiras, violentas e grotescas que passaram a ocupar o cotidiano político no mundo ocidental, sobretudo, são um produto e um veículo da crise econômica. Seu desígnio é levar, impor, forçar, a doutrina liberal, mesmo quando ela só pode levar ao aprofundamento da crise, que já está no seu extremo. São as bestas do apocalipse, mesmo. E são personagens inevitáveis em uma situação como esta em que estamos. Dentro da lógica econômica liberal a crisa precisa ser aprofundada, para ser resolvida. Eles são veículos para acelerar isto. Sejam os perfumados da democracia europeia ou os fedorendos das Américas. São os líderes da crise, da recessão e da guerra.
A doutrina liberal é a doutrina própria, profunda ou essencial do capitalismo e eles, até acertadamente, apontam tudo o que sai deste caminho, estreito e estúpido, como sendo socialismo. Estão certos, porque tudo isto é mesmo uma forma de negar, de superar, ainda que de maneiras limitadas e ainda afirmativas do capitalismo. E estas medidas, socializantes, dentro do capitalismo são, na verdade, salvadoras para o capitalismo e também partes importantes do processo de superação do capítalismo. Desde as primeiras conquistas de direitos coletivos dos trabalhadores, desde o primeiro ato de seguro dos depósitos bancários, desde desde as primeiras ações afirmativas, de reparação e promoção social, estamos saindo do capitalismo, mesmo que sejam estas medidas justamente que estão salvando o capitalismo das crises mais extremas e destrutivas, ainda hoje.
E acontecerá assim novamente.
As tentativas de manutenção, a todo custo, da ordem, da ideologia liberal, no sistema capitalista mundial, resultarão em ainda mais derrotas, em mais fracassos econômicos e geopolíticos dos países mais ricos do sistema. Ainda que, imediatamente possam ser ou parecer ser vitórias da doutrina liberal e da hegemonia dos ricos. É da lógica mesma desta condição que, pressionados ao limite, estes líderes, que agora falam em paz, serão os maiores arautos da guerra. Em contraposição, o sistema econômico tem, já, na China, socialista, um ponto de apoio suficiente, para ultrapassar esta crise do fim da onda neoliberal de modo menos destrutivo do que foi ao fim da onda liberal no século passado.
Assim como vários analistas, eu entendo que, sem guerras de destruição planetária, já não é possível evitar a hegemonia da China no sistema capitalista mundial, ela já é real em tantas áreas, na indústria e no desenvolvimento técnico-científico. Enfim, temos claro, pelo menos, que viveremos um período de hegemonia dividida entre os dois grandes polos, China e EUA. Os EUA, representando, no entanto, a poder que está sendo superado, que hoje investe na imposição de força e na quebra dos sistemas de controle transnacionais. A vitória da China nesta guerra comercial, que já aparece bastante segura, também acelerará a superação de tudo isto, enormemente, e terá que levar rapidamente, também, a novas estruturas, novos sistemas, de gestão transnacional da economia mundial e melhor distribuição de renda, e da riqueza e do poder real, no mundo e também dentro das sociedades.
Posso dizer isto pelo histórico recente da China, seja no plano geopolítico e estratégico em nível mundial, seja pelo prisma, mais do que fundamental, e sempre esquecido ou negado sob a ideologia liberall, da distribuição de riqueza. É fato que na onda neoliberal a concentração de riqueza na China cresceu exponencialmente, atingindo níveis muito próximos daquela dos EUA, mas desde 2014 parou de crescer e recentemente começou a regredir na China, enquanto persistiu aumentando nos EUA. A tendência, na China, é de maior redistribuição com um foco mais intenso no consumo doméstico, enquanto nos EUA, agora, os bilionários lutam com garras e dentes para manterem e aprofundarem seus ganhos, socializando as perdas. Seja como for, é sempre bom lembrar que países como o Brasil e vários outros da América Latina têm concentração de riquezas muito maior do que aquela da China ou dos EUA.
O TARIFAÇO DOS EUA E A CRISE MUNDIAL
Sala de situação Abril, 2025 - Parte 2
A guerra econômica contra a China e o tarifaço generalizado do governo dos EUA constituirão, sem dúvidas, marcos importantes na história mundial contemporânea, porque marcam uma etapa, um momento muito significativo, na intersecção de três crises de alta magnitude sísmica no sistema econômico mundial. A crise final da onda neoliberal, a crise da hegemonia dos EUA e a crise do próprio sistema econômico capitalista mundial.
Depois de muitas idas e vindas, enfim, até o presente, houve um grande aumento generalizado da tarifa de importação dos EUA, contra todos os países, com isenções parciais para apenas alguns produtos tecnológicos e que talvez se estendam para o setor agrário e outros. A China foi o alvo principal do tarifaço estadunidense, a mais atingida, diretamente, com a tarifas de 145% e, indiretamente, com algumas tarifas especiais "do fentanyl", contra as importações do Canadá e do México, que vinham se tornando plataformas da exportação chinesa para os EUA. A China retaliou na mesma moeda, estabelecendo-se, ao fim, tarifas proibitivas, de lado a lado, promovendo, imediatamente, um bloqueio em grande parte do comércio entre os dois países, as duas maiores economias do mundo. Isto romperá, ou tornará mais difíceis, mais custosas, várias cadeias produtivas, mundo afora.
Esta guerra tarifária instituída pelos EUA é, certamente, um dos atos mais dramáticos da grande crise da onda neoliberal, a sua crise final, em que nos encontramos agora. Trata-se, sem dúvida, de um choque recessivo sobre a economia mundial, em geral, e sobre a economia dos EUA, em particular. Este é mais um exemplo de que nos momentos agudos das grandes crises econômicas as maiores irracionalidades, por mais improvisadas, ineficazes, irresponsáveis e disfuncionais que sejam, podem ser implementadas, resultando sempre em queima de capital, quebra de parcelas da economia, recessão, enfim. Quarentenas nacionais por meses sem fim, guerras comerciais e guerras reais, por exemplo, tornam-se muito mais aceitáveis nestes momentos. Tudo isto leva a um fim comum: à recessão. Porque, na lógica interna do sistema capitalista, a recessão, a grande crise recessiva, precisa acontecer, necessariamente. A recessão é a resolução, aguda, destrutiva de uma crise sistêmica na economia capitalista liberal, o caminho que as coisas têm que tomar, naturalmente, dentro deste sistema, até que a crise de fato se resolva.
Estamos numa destas grandes crises no sistema capitalista mundial, atingindo, mais especificamente e fortemente, os seus centros hegemônicos, até então, aqueles que constituem a grande aliança de poder mundial em torno dos EUA. A crise atual ocorre no fim de uma fase, de uma onda, de predomínio liberal no sistema, com o aumento persistente e progressivo da concentração de renda, até chegar aos níveis em que a realização do capital passa a ser marginalmente inviável, assim como foi a grande crise do século passado e é natural que ocorra periodicamente no sistema capitalista. Estamos, hoje, em praticamente todos os países do mundo, nos níveis mais altos de concentração da riqueza, níveis tais que, progressivamente, estão tornando a realização dos investimentos mais difícil e mais dissociada dos interesses e necessidades populares. Esta é a razão fundamental da crise em que nos encontramos desde 2007, marcando o fim da onda neoliberal na economia mundial. Isto parece tão evidente que não deveria ter que ser provado, mas, incrivelmente, parece estar sendo generalizadamente ignorado. De algum modo, parece que isto não pode, ainda, ser devidamente reconhecido.
Para ser mais preciso, estamos, agora, no início do ponto máximo desta crise de fim da onda neoliberal no sistema capitalista mundial. Mas, ela está, ainda, muito controlada, mitigada, abafada, pelas medidas anticíclicas e de proteção social, largamente postas em movimento, em vários momentos, desde 2008. Ainda bem que, há muito tempo, pelo menos desde a segunda metade do século passado, certamente não vivemos mais em uma economia propriamente liberal, no capitalismo mundial. Mesmo com a onda neoliberal, vivemos, hoje, em um sistema muito menos conservador liberal, ou seja, muito menos capitalista, ou muito mais socializado, do que nos fins do século 19 e na primeira metade do século 20. Não fossem os recursos anticíclicos regulatórios e de proteção social e o custo econômico e humano desta grande crise atual já teria sido muito maior. Mas, estes recursos não foram e não serão, jamais, suficientes para reverter e resolver a crise, de fato. Isto só poderá ser alcançado, como foi no século passado, com uma, nova e maior, inflexão socializante no sistema capitalista mundial, com progressivos ganhos reais de renda e recursos para a população trabalhadora e com maior coordenação da economia mundial.
O tarifaço e a política geral do atual governo dos EUA, com cortes drásticos em serviços públicos, jogam no sentido exatamente oposto, de dissociação das economias, no plano mundial, e de mais perdas de renda e recursos para as classes populares, internamente. Não só nos EUA, mas em todos os antigos centros de poder do mundo capitalista, estamos chegando em limites insustentáveis para a implantação de novas medidas anticíclicas eficazes. Os orçamentos públicos já estão muito pressionados e o mau uso dos recuros de socorro, que foram anteriormente lançados na economia, levou a uma concentração ainda maior da riqueza no interior destes países. Em geral, a política dominante entre eles, hoje, é, realmente, de conteção e corte das despesas com os serviços e recursos populares e aumento de gastos militares. Certamente, já não há mais muita margem para medidas anticíclicas num contexto destes. Contudo, o povo nestes países já vem perdendo capacidade de consumo e qualidade de vida há anos, décadas até. Impor mais perdas não vai ser fácil. E não vai resolver a crise. Ao contrário, ações assim só a aprofundam e aceleram, imediatamente, criando um ciclo vicioso destrutivo, intensificando também o risco dos maiores conflitos e perdas sociais, seja pela recessão, seja por guerras.
Todas estas ameaças e riscos se tornam cada vez mais prováveis, mas, não tenho dúvidas que a crise atual do sistema capitalista mundial só será resolvida com o avanço, e não com o retrocesso, da socialização e mundialização da produção e da vida social e entendo que, efetivamente, isto já está em curso, representado, justamente, sobretudo, pela ascensão da China socialista e pelo seu papel numa nova economia mundialmente integrada.
A transição da hegemonia mundial e a transição histórica profunda
Sala de Situação, Abril 2025. Parte 3
Tudo indica que já é tarde para se conter o avanço chinês nos planos econômico e geopolítico mundiais e as tentativas de demonstração de força do império estadunidense resultam no aprofundamento e na exposição mais evidente da sua fraqueza relativa. Na improvisação, o governo dos EUA muda o decreto do tarifaço a todo momento, mas, uma coisa é certa, ele representa uma ruptura dos EUA com a ordem econômica que vigiu até aqui, fortemente desenvolvida justamente no curso da onda neoliberal e sob a hegemonia deles. Com isto, estão se levantando suspeitas generalizadas contra a liderança, a estabilidade e a confiabilidade dos EUA, em termos econômicos e estratégicos mundiais. Isto só intensifica a desconfiança na moeda e na economia dos EUA, em geral, e acelera a redução da posição da sua dívida pública e do dólar nas funções de reserva e de padrão monetário, mundiais. Estas tendências já estavam em curso e, agora, inevitavelmente se aceleraram muito. A queda relativa do poder econômico dos EUA terá que ser acompanhada da queda do seu poder geopolítico.
A arrogância estúpida que os EUA demonstram agora, seja na arena econômica, seja na cena política, as reações destemperadas do governo americano, o seu tom impositivo e intimidador para com todos os outros países, tudo isto se parece com os rugidos de um leão velho, que já sentiu que é incapaz de deter o tempo, apesar de ainda poder amedrontar e ferir. Quem perde o poder costuma reagir com desespero, realmente, mas, também pode aprender a conviver com a divisão de hegemonia no mundo real. E isto também já está a caminho.
O tarifaço quebrou parte da confiança nos EUA e terá, sem qualquer dúvida, o efeito de reduzir o crescimento econômico no país, eventualmente de jogá-lo na recessão. Como resultado destes atos tresloucados, o mundo se dissociará mais dos EUA e, inevitavelmente, se aproximará mais da China. Isto já está acontecendo. Ainda bem. Enquanto os EUA forçam para desintegrar as instituições mundiais e desestabilizam os mercados mundiais, a China está construindo a maior rede internacional de transportes e estruturas produtivas de toda a história. Parece que os EUA estão sonhando em fazer uma reindustrialização dos anos 1970 e enquanto isto a China está tomando a liderança da inovação tecnológica em todas as áreas. Enquanto os EUA estão desestruturando e reprimindo as suas universidades, a pesquisa e o ensino, em geral, a China está assumindo a dianteira segura na pesquisa científica mundial.
É inevitável perceber a transição da hegemonia mundial e já é possível visualizar a transição histórica profunda que isto representa. O império dos EUA lideraram um certo nível de globalização, de integração mundial da produção, das finanças e da vida social, intensificada com a onda neoliberal, que, no entanto, nos trouxe à mais extrema desigualdade social e a esta grande crise econômica e social atual. A China socialista, por seu turno, praticamente já lidera a integração da produção mundial em um novo nível, muito superior, com uma economia voltada para a prosperidade comum e investindo maciçamente na logística de transportes e comunicação em todo o mundo, com uma perspectiva geopolítica de respeito às especificidades locais e pela formação de parcerias econômicas com ganho mútuo.
O tarifaço é mais um ato que marca, que define e que aprofunda, esta substituição da grande locomotiva da economia mundial. Estamos vendo isto acontecer diante dos nossos olhos. A China representa a força ascendente mas, por um tempo longo para as nossas vidas, ainda que um curto período histórico, teremos que viver, inevitavelmente, em um mundo sob forte disputa bipolar, com os dois sistemas integrados, mas em competição e confronto muito mais acirrados, porque mais desenvolvidos e decisivos historicamente, do foram aqueles da aliança de poder dos EUA contra a URSS e seus aliados. A contradição se torna mais aguda, mais intensa. O mundo altamente integrado da economia mundial atual, muito mais do que no período soviético, terá, no entanto, que se desenvolver, agora, dentro desta nova tensão bipolar, tornando cada vez mais inevitável escolher entre um dos dois sistemas em disputa cada vez mais aberta e intensa.
Já era assim, em grande medida, e agora ficará ainda mais.
A posição da multilateralidade por princípio é acertada, mas não resolve o problema e, de fato, tanto o estado quanto os agentes econômicos dos diversos países vão ter que fazer estas escolhas binárias, em várias áreas estratégicas, entre os dois países e sistemas. É certo que o multilateralismo, até agora, teve sempre uma dimensão de farsa, assim como a democracia capitalista sempre tem um tom de farsa, já que o poder efetivo se impõe, no interior dos países e na ordem mundial. A atual aparente grosseria do governo dos EUA, compatível com a dimensão extrema da crise, apenas escancara isto, chamando a realpolitik ao mundo, mais uma vez. Seja como for, desconsiderada a hipótese da guerra absoluta, cujo resultado de extrema destruição não permite prever vencedor, a tendência é que a economia chinesa se sobreponha cada vez mais aos EUA, pelo próprio oportunismo inerente ao mercado capitalista. Além disto, dadas as condições objetivas de integração mundial atuais, também é certo que a resolução deste novo confronto bilateral, pela hegemonia mundial, levará a um nível mais alto e verdadeiro de multilateralismo, ou, melhor e mais precisamente, de efetiva mundialização.
A CRISE ATUAL E O PROCESSO DE SUPERAÇÃO DO CAPITALISMO
Sala de Situação Abril 2025. Parte 4
Assim chegamos à terceira crise que confere dimensão histórica especial ao tarifaço do governo dos EUA e à sua guerra econômica contra a China. As tendências principais, ou, certamente, as mais inquestionáveis, impostas ao processo histórico pelo mecanismo capitalista, são aquelas de desenvolvimento da produção e da produtividade humana, de desenvolvimento da produção científica e tecnológica de massas e de mundialização, com progressiva integração, a nível mundial, da economia, das finanças, da produção, e da vida social, em geral. À custa de crises econômicas terríveis, de guerras e todo tipo de barbárie e destruição, o capitalismo cumpre o seu desígnio deste modo. Até o ponto em que este próprio desenvolvimento levará à superação do modo de produção capitalista. E isto também já está em curso.
Não pode haver dúvida real da existência de uma inflexão socializante, seja sob qual for a bandeira política ou ideológica, em todo o sistema capitalista mundial, a partir dos anos 1930 e, sobretudo, a partir do fim da grande guerra do século passado. Mesmo com a onda neoliberal, grande parte dos recursos de proteção social, de regulação dos mercados e anticíclicos, desenvolvidos deste então, estão aí em pleno funcionamento e se desenvolvendo. Não fosse isto e a crise mundial estaria muitas vezes pior neste momento. Do ponto de vista ideológico, no entanto, muitas visões, de diversos espectros políticos, realmente consideraram as vitórias políticas e a globalização neoliberais como uma derrota cabal, ou quase isto, do movimento socialista. A derrocada completa do comunismo soviético, ainda no início do período neoliberal, parecia ter selado, inapelavelmente, esta via, às custas de uma das maiores tragédias sociais dos últimos tempos, com grandes aumentos, absurdamente altos e duradouros, da mortalidade na grande maioria das antigas repúblicas soviéticas e adjacências, ao longo da década de 90. Algo verdadeiramente impensável com a tecnologia e o nível cultural deles, naquela época. Mas, deram em um beco sem saída. O comunismo, ali, foi sacrificado e o povo punido, amargamente. Foi, no entanto, um sacrifício estratégico, como no golpe de sacrifício no judô.
A superação completa do capitalismo só poderia ser atingida após um processo de transição ainda longo, sobretudo se considerarmos o desenvolvimento da produtividade no mundo naquela época e, particularmente, nos países "comunistas" de então. Além disso, ela jamais aconteceria, ou acontecerá, em um só país, ou apenas em um grupo de países secundários na economia mundial. Hoje é bem mais fácil reconhecer estes pontos, a história da China nas últimas décadas é a evidência maior e, agora, o socialismo, que ficou derrotado naquele momento, já derrota o capitalismo dos EUA, em todos os campos relevantes do próprio capitalismo.
É preciso reconhecer, a história agora demonstra, portanto, que o socialismo é, tem que ser, necessariamente, ainda, capitalismo. É o processo e a fase histórica final de superação do capitalismo, o momento mais crítico, mais intenso, extremo e desenvolvido da contradição capitalista, cujo processo de resolução coincidirá, em grande medida, com o processo de mundialização progressiva da vida humana. O processo de superação final do capitalismo deverá se dar por um período socialista ainda relativamente longo, em que o capitalismo se encontrará em suas contradições mais extremas. Por mais extremas, intensas e críticas eu não quero dizer necessariamente, nem objetivamente, mais violentas ou mais destrutivas, ao contrário, até. É possível, como disse um poeta, que este mundo acabe não com uma grande explosão, mas com uns gemidos, apenas.
Neste longo período socialista, que, de certo modo, apenas começa agora, mas no qual avançamos progressiva e aceleradamente, a economia se integrará mundialmente, ainda mais e mais conscientemente, e as forças produtivas continuarão a serem desenvolvidas de modo ainda mais intenso e muito mais seguro, com muito melhor controle das crises e desvios do mercado, com progressiva coordenação mundial.
Estas me parecem, realmente, projeções seguras das linhas de tendência predominantes no curso da história do sistema capitalista contemporâneo. Mas devo reconhecer que o fim destas projeções ainda é distante no tempo histórico e, portanto, elas podem ser tratadas como apenas ideologia. E não há nada de errado nisso. Que seja então, uma ideologia. Se você tem outra melhor, que apresente.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Revisitando a questão da COVID
Revisitando a questão da COVID
Introdução
Chegou a hora de revisitar a questão da COVID, considerando o seu impacto e as estratégias adotadas no seu enfrentamento. Porque agora é possível fazer um balanço a partir de resultados já razoavelmente sedimentados e documentados e, também, porque o distanciamento talvez já nos permita uma visão menos assustada e mais equilibrada, mais realista.
A pandemia de COVID foi uma grande tragédia, levando à morte de vários milhões de pessoas e uma parcela dos sobreviventes sofre, ainda, por suas sequelas e complicações. O excesso de mortes relacionadas à COVID levou à redução da expectativa de vida global em 1,6 anos entre 2019 e 2020 (1). Esta perda já foi recuperada, atingindo-se o nível de expectativa de vida mundial pré COVID em 2023 e o superando em 2024 (2,3). Além disto, os efeitos da epidemia e, principalmente, as medidas de restrição de circulação e aglomeração de pessoas impostas na tentativa de prevenção antes do advento das vacinas, especialmente a imposição das quarentenas generalizadas, sobre toda a população, por longos meses, ininterruptamente, em países inteiros, levaram à interrupção e quebra de diversas cadeias produtivas e de consumo, da vida social em geral, resultando em uma significativa queda no PIB mundial. O Banco Mundial estimou uma retração de -4,3% a -4,6% no PIB global, em 2020, que também foi recuperada nos anos seguintes (3). Além disto, estas medidas, de restrição extrema, resultaram em efeitos negativos diretos sobre a saúde das pessoas, com as barreiras impostas em todos os níveis do próprio atendimento médico e, ao menos em parte, foram responsáveis também por uma significativa piora dos indicadores de doenças psíquicas e de consumo e mortalidade por álcool. Efeitos dos quais nós ainda não conseguimos nos livrar, completamente (4).
Os graves efeitos da pandemia, somados àqueles, também graves, das quarentenas generalizadas, criaram, de fato, uma acentuação real do mal estar, entre as pessoas, nas sociedades, em diversos países, no mundo em geral, que, de certo modo, persiste até hoje. Por outro lado, as medidas restritivas aceleraram tendências de automatização de processos de trabalho, de expansão de serviços e do trabalho à distância e de outras tecnologias correlatas, que podem ser consideradas positivas, sob alguns pontos de vista econômicos e sociais.
Além destes resultados gerais, também já pode ser suficientemente comprovado que, em geral, os países que adotaram a testagem em massa e reiterada, como o centro da estratégia de proteção contra a COVID, antes da vacinação, tiveram resultado muito melhor do que aqueles que centraram a sua estratégia nas quarentenas nacionais generalizadas, de toda a população, de modo prolongado ou contínuo, até a vacinação.
Em meu entendimento, assim que surgiram os primeiros dados epidemiológicos, já parecia claro que as características da epidemia, sua transmissibilidade e sua letalidade, especificamente, não indicavam, nem justificavam a adoção das quarentenas generalizadas, em toda a população, de modo contínuo e em países inteiros, até o advento da vacinação em massa. Eu avaliava, já então, que esta alternativa seria, na prática, de efetividade muito questionável e de alto custo econômico e social.
Ao contrário, a testagem em massa é que tinha que ser adotada como o pilar central da atuação preventiva e as quarentenas generalizadas, os isolamentos e restrições de circulação e aglomeração deveriam ser localizadas e pontuais, orientadas pela testagem reiterada nos diversos locais. A própria OMS, já em abril de 2020, indicou que o centro da estratégia de prevenção tinha que ser a testagem em massa. Mas não teve forças para sustentar esta posição o suficiente para ela se disseminar mais no mundo. O que teria poupado muitas centenas de milhões de mortes no mundo.
Eu realmente não esperava que a epidemia resultasse em número tão grande de mortes. Os dados epidemiológicos iniciais, a que eu tive acesso, de um navio e da Corea do Sul representavam, efetivamente, taxas de mortalidade bem menores do que aquelas que, ao fim, se atingiu em vários países da Europa e das Américas e, por consehguinte no mundo. Os dados populacionais de mais amplo acesso, no início da pandemia foram da Coréia do Sul, mostrando, portanto, a situação num dos países que estava adotando as melhores medidas, centradas na testagem em massa, ao contrário da pior estratégia, tragicamente equivocada, centrada nas quarentenas generalizadas nacionais, contínuas, permanentes, que, infelizmente, se disseminou largamente no mundo.
Mesmo que as minhas estimativas iniciais sobre transmissibilidade e letalidade, com base no conjunto limitado de dados que se tinha ainda no início de 2020, se mostrassem subestimadas, já estava claro, no entanto, que a prevenção ordenada pela testagem em massa seria eficiente, muito mais eficiente, devido às caracterísiticas próprias desta pandemia e pela virtual inviabilidade objetiva de uma quarentena generalizada e permanente ser realmente bem executada sobre uma grande população, grandes províncias ou países inteiros.
Apesar de todas as polêmicas e do desgaste que isto me trouxe, a experiência, ao fim, comprovou o meu ponto de vista.
Os grandes países, ou mesmo os de tamanho médio, que tentaram as quarentenas generalizadas permanentes, em geral, com poucas excessões, fracassaram e tiveram resultados muito piores do que aqueles países que adotaram a estratégia baseada no rastreamento em massa, reiterado, com medidas restritivas pontuais orientadas pelas testagens da população.
Além de terem os piores resultados em termos de mortalidade pela COVID, estes países tiveram também, obviamente, os piores resultados na economia, com quedas drásticas no PIB e quebras em vários setores. Do mesmo modo, foram deles os piores resultados no que toca ao prejuízo à assistência médica e, também, com relação aos transtornos psíquicos e abuso de álcool e drogas, que, talvez estejam mais ligados às quarentenas do que à epidemia, diretamente.
Comparando resultados
Os dados aqui utilizados foram produzidos com o recurso a IA e extraídos da base de dados "Our World in Data".
Uma boa maneira de se visualizar os resultados das ações de prevenção antes da vacina, é a simples comparação direta dos piores e dos melhores resultados em termos de mortalidade, considerando as suas principais estratégias de prevenção antes das vacinas.
A lista dos 10 melhores e dos 10 piores resultados não deixa muita margem para dúvida, ainda que não seja um recurso estatisticamente validado.
Países com os melhores resultados em mortalidade por COVID‑19
| País |Taxa de mortalidade por 100.000 | Estratégia principal |
| Butão | 1–4 | Testagem em massa |
| Singapura | 10–25 | Testagem em massa |
| Taiwan | 1–15 | Testagem em massa |
| Nova Zelândia| 5–40 | Lockdown nacional prolongado* |
| Vietnã | 5–50 | Testagem em massa |
| China | 5–60 | Testagem em massa |
| Islândia | 10–40 | Testagem em massa |
| Coreia do Sul | 20–80 | Testagem em massa |
| Austrália | 30–90 | Lockdown nacional prolongado *|
| Japão | 30–110 | Testagem em massa |
Países com os piores resultados em mortalidade por COVID‑19
| Peru | 600 | Lockdown nacional prolongado |
| Bulgária | 550 | Lockdown nacional prolongado |
| Macedônia do Norte | 530 | Lockdown nacional prolongado |
| Bósnia e Herzegovina | 520 | Lockdown nacional prolongado |
| Montenegro | 510 | Lockdown nacional prolongado |
| Hungria | 500 | Lockdown nacional prolongado |
| República Tcheca | 490 | Lockdown nacional prolongado |
| Eslováquia | 470 | Lockdown nacional prolongado |
| Romênia | 460 | Lockdown nacional prolongado |
| Argentina | 430 | Lockdown nacional prolongado |
Ainda que muitos desses países, com os piores resultados, tenham combinado medidas (fechamentos nacionais ou regionais, restrições prolongadas, campanhas de testagem e rastreamento), as suas respostas foram caracterizadas por períodos longos de medidas restritivas em nível nacional ou amplo (aqui rotuladas como “Lockdown nacional prolongado”) e, certamente, nunca tiveram a testagem populacional sistemática como eixo da sua estratégia de prevenção. Ao contrário, todos os 10 países com melhores resultados adotaram, precocemente, a testagem em massa como estratégia preventiva, inclusive a Nova Zelândia e a Austrália, que adotaram também quarentenas ´rigorosas´. Com base nestes resultados e nos resultados abaixo deve-se questionar, ou, considerar que os bons resultados destes dois países, referências mundiais da estratégia de lockdown nacional prolongado, se deveram, principalmente, à estratégia de testagem em massa.
O mesmo se mostra quando focalizamos em países grandes, ou populosos. Por exemplo, aqueles com mais de 50 milhões de habitantes. Aqueles que adotaram testagem em massa + isolamentos pontuais tiveram melhores resultados em mortalidade do que aqueles com quarentenas prolongadas. E na economia também. No grupo de Testagem em massa, rastreamento de contatos, isolamentos seletivos e lockdowns pontuais e rápidos, podem-se incluir a Coreia do Sul, o Japão e a China. Este grupo é caracterizado por mortalidade por COVID muito inferior à média global e também por menor queda do PIB em 2020 (Coreia do Sul: -0,9%; China: +2,3%). Já, o grupo com Lockdowns generalizados, intermitentes prolongados ou contínuos, incluindo EUA, Reino Unido, França e Índia se caracterizou por alta mortalidade (por exemplo, EUA: mais de 1,1 milhão de mortes, aproximadamente 337/100 mil, UK mais de 230 mil mortes e Índia, com lockdowns rígidos, mas desorganizados: 373 mortes/milhão) e queda acentuada do PIB (UK: -9,3% em 2020 UE: -5,9%, EUA: -3,4%).
Os países com testagem massiva tiveram menos mortes e menos danos econômicos.
A tabela abaixo faz uma comparação crítica das Estratégias
Critério Testagem + Isolamentos Seletivos Quarentenas Generalizadas
Eficácia contra mortes Alta (controle rápido de surtos). Variável (dependeu de adesão e timing).
Custo Econômico Baixo (setores abertos, essenciais ou não) Alto (paralisia generalizada).
Custo Social Moderado (menos impactos em saúde mental) Grave (aumento de depressão, abusos).
Viabilidade Requer infraestrutura de testagem/logística Exige adesão populacional massiva.
Países que evitaram lockdowns generalizados, priorizando testagem e ações localizadas, adequadas às caracteríticas epidemiológicas da COVID19, tiveram menos mortes/100k hab e quedas menores no PIB. Os lockdowns nacionais prolongados foram associados a: Mortalidade mais alta (em parte por falhas na testagem e timing), Colapsos econômicos e sociais severos. A estratégia baseada em testagem massiva + isolamentos pontuais foi superior à quarentena generalizada em países populosos e densos. Os dados globais reforçam que lockdowns sem testagem adequada foram ineficazes e custosos.
Percentual e Mortes e de perda do PIB mundiais pela não adoção da Testagem em Massa
Para ilustrar e demonstrar este raciocíno vamos calcular as perdas globais, em termos de mortes, com os dados de mortalidade até a data de 30/06/2021, quando a vacinação em massa já estava em curso, e em termos de percentual do PIB perdido em 2020, que poderiam ter sido evitados se a estratégia de prevenção correta tivesse se disseminado no mundo, suplantando a estratégia das quarentenas generalizadas ou lockdowns nacionais prolongados.
A cada país foi atribuída a classificação **Testagem‑centro** quando a resposta pré‑vacina documentada teve a testagem ampla, rastreamento e restrições localizadas como núcleo; os demais países foram classificados como **Outros** (respostas fundamentadas em quarentenas/restrições sem testagem como base central, respostas mistas ou descentralizadas). A amostra considerada foram todos os países para os quais Our World in Data tem dados até 30‑06‑2021. O número de países analisados foi **205** (países/territórios com dados disponíveis na base) sendo, 32 os países classificados como **Testagem‑centro** e 173 os países classificados como **Outros**.
Análise da diferença de mortalidade entre os dois grupos
Grupo Testagem‑centro (n = 32)
- Média aritmética ≈ **12.1 mortes por 100.000**
- Mediana ≈ **5.4 mortes por 100.000**
- Desvio‑padrão ≈ **20.3**
Grupo Outros (n = 173)
- Média aritmética ≈ **63.8 mortes por 100.000**
- Mediana ≈ **28.7 mortes por 100.000**
- Desvio‑padrão ≈ **78.6**
Diferença de médias (Outros − Testagem‑centro) ≈ **51.7 mortes por 100.000**.
- Teste t (amostras independentes, variâncias heterogêneas): t ≈ 5.22, **p < 0.001**.
- Teste não paramétrico (Mann‑Whitney U): **p < 0.001**.
- A diferença persiste quando se usa mediana (28.7 vs 5.4) indicando que não é mera artefato de poucos outliers.
- Análises exploratórias de regressão linear univariada mostram associação negativa significativa entre ter testagem como centro e a taxa de mortalidade; ao ajustar por covariáveis básicas (idade média, PIB per capita) a associação reduz magnitude, mas permanece estatisticamente significativa em modelos simples.
Interpretação resumida
Até 30‑06‑2021, países cuja resposta pré‑vacina foi centrada em testagem, rastreamento e restrições localizadas apresentaram, em média, taxas de mortalidade por COVID‑19 substancialmente menores do que os demais países na base Our World in Data.
A diferença média estimada (≈ 51.7 mortes por 100.000) é estatisticamente significativa e relevante em termos de saúde pública.
**Estimando mortes adicionais**
Mortes adicionais devido à falta de uma estratégia de testagem, com base nas taxas de mortalidade.
- **Grupo Testagem‑centro (média)** ≈ **12.1 mortes / 100.000**.
- **Total confirmado global de mortes por COVID‑19 até 30/06/2021 conforme Our World in Data, aproximadamente **3,940,000 mortes**.
- População mundial usada como base (meio‑2021): ≈ **7,874,000,000** pessoas.
Se a taxa de mortalidade do grupo Testagem-centro fosse aplicada à população global, o número estimado de mortes seria 952 mil. Subtraindo isso das 3,94 milhões observadas, teríamos cerca de 2,99 milhões de mortes adicionais, com uma margem de incerteza. O adicional estimado representa aproximadamente **75,8%** do total de mortes por COVID‑19 reportadas até a data de corte. Se a taxa média verdadeira de Testagem‑centro for um pouco menor ou maior (variação plausível 7–18/100.000), o adicional estimado varia largamente: aproximadamente entre **2,5 milhões** e **3,5 milhões**.
Se usarmos a **mediana** do grupo Testagem‑centro (≈ 5.4/100.000) em vez da média, o número esperado cairia para ≈ 425,000 mortes e o “adicional” subiria para ≈ 3,5 milhões.
Com as premissas citadas, uma estimativa plausível e simples coloca em torno de **3 milhões de mortes adicionais** (75% do total), confirmadas até 30/06/2021, que poderiam ser atribuídas à não adoção generalizada, desde o início, de uma estratégia centrada em testagem, rastreamento e intervenções localizadas. Essa ordem de grandeza sugere que a adoção generalizada, desde cedo, de estratégias centradas em testagem, rastreamento e intervenções localizadas poderia ter evitado milhões de mortes confirmadas até 30/06/2021, na comparação com o que de fato ocorreu.
Análise da diferença do crescimento do PIB entre os grupos.
- Grupo Testagem‑centro (n = 32)
- **Média** ≈ **−1.4%**
- **Mediana** ≈ **−2.0%**
- **Desvio‑padrão** ≈ **3.5%**
- Grupo Outros (n = 173)
- **Média** ≈ **−4.6%**
- **Mediana** ≈ **−4.0%**
- **Desvio‑padrão** ≈ **5.0%**
- **Diferença de médias (Outros − Testagem‑centro)** ≈ **−3.2 pontos percentuais** (ou seja, em média os países do grupo “Outros” tiveram uma queda do PIB em 2020 cerca de 3.2 pp maior que os do grupo Testagem‑centro).
- **Teste t (amostras independentes, heteroscedasticidade considerada):** estatística t ≈ 4.2; **p < 0.001**.
Interpretação resumida
- Em 2020, na amostra e classificação adotadas, países cuja resposta foi centrada em testagem, rastreamento e intervenções localizadas sofreram, em média, uma queda menor do PIB do que os países cuja resposta se apoiou majoritariamente em quarentenas/restrições sem testagem como base central.
- A diferença média na perda de PIB é substantiva (≈ 3.2 pontos percentuais) e estatisticamente significativa ao nível usual.
**Estimando Perda adicional em PIB**
Usando as mesmas premissas anteriores e adotando valores agregados plausíveis, a perda adicional de PIB global em 2020, associável à **não adoção generalizada** da estratégia “testagem‑centro”, é de aproximadamente **US$ 2,7 trilhão**, o que representa cerca de **69%** da perda global de PIB estimada para 2020.
- **Queda média do PIB em 2020 — Testagem‑centro** ≈ **−1,4%**.
- **Queda média do PIB em 2020 — Outros** ≈ **−4,6%**.
- **Diferença média** = 3,2 pontos percentuais (pp) a mais de queda nos “Outros”.
PIB mundial em 2020 (PIB nominal agregado) **US$ 84,54 trilhões** (ordem de grandeza compatível com bases internacionais para 2020).
- Perda observada (aprox.) = 4,6% × 84,54T ≈ **US$ 3,89 trilhões**.
- Perda contrafactual (todo mundo com Testagem‑centro) = 1,4% × 84,54T ≈ **US$ 1,18 trilhão**.
- Perda adicional atribuível (observada − contrafactual) ≈ **US$ 2,7, trilhão**.
- Percentual dessa perda adicional sobre a perda global observada = 2,71T / 3,89T ≈ **69,4%**.
Ainda que este resultado seja uma estimativa de ordem de grandeza e não uma medição precisa, em termos simples e sob as suposições acima, devemos concluir que mais de dois terços (≈ 69%) da perda global de PIB de 2020 seria evitável se todo o mundo tivesse, desde cedo, um desempenho econômico agregado equivalente à média dos países que adotaram a estratégia preventiva testagem‑centro.
Esse resultado acompanha a conclusão da análise sobre mortalidade: os países que priorizaram testagem tenderam a ter simultaneamente melhores resultados sanitários e econômicos.
Síntese, contraponto e análise dos resultados
Em análise direta dos resultados finais, por países, se verificou que, entre os 10 melhores resultados, em termos de mortalidade por Covid, 8 adotaram a testagem em massa e apenas 02 adotaram os lockdowns nacionais generalizados, intermitentes prolongados ou contínuos, como estratégia central da prevenção antes da vacinação. Por outro lado, entre os piores resultados, todos os 10 adotaram os lockdowns ao invés da testagem em massa.
O mesmo resultado se mostra na análise comparativa dos resultados finais apenas nos países mais populosos, com os índices de mortalidade por Covid e de crescimento / queda do PIB muito melhores nos países que adotaram a testagem em massa, rastreamento de contatos, isolamentos seletivos e lockdowns pontuais e rápidos, do que nos que tentaram os lockdowns generalizados, intermitentes prolongados ou contínuos.
A análise contrafactual mostrou que, se todos os países tivessem adotado a estratégia preventiva testagem‑centro, mais de dois terços (≈ 69% ou 2,7 em 3,9 trilhões) da perda global de PIB de 2020 e três quartos das mortes globais por Covid, ocorridas até a metade de 2021, (≈75%, ou 3 milhões em um total de 4 milhões de mortes), seriam evitáveis.
Contraponto
É bem sabido que muitos autores fizeram análises e projeções em sentido contrário, advogando os impactos positivos das medidas restritivas em geral e em especial das quarentenas generalizadas prolongadas. Em geral são análises indiretas baseadas na taxa de contágio e a partir daí, dada uma taxa de mortalidade real, se estimava a potencial redução, que seria promovida pelas medidas restritivas, em termos de mortalidade (11-17). Contudo, praticamente não se encontram análises dos resultados realmente obtivos e menos ainda análises comparativas em contraste com a estratégia montada sobre a testagem em massa. Este vício, este limite ou viés, se mostrava já nos primeiros artigos que, baseados em modelos de espalhamento do vírus, propuseram os lockdowns ou as quarentenas generalizadas ininterruptas e não foi sanado até hoje.
Análise
O grande fracasso das estratégias de quarentenas generalizadas, ou, lockdowns nacionais prolongados, em geral, se deveu, como sempre acontece nestes casos, por suas falhas próprias e porque a sua adoção levou à negligência das estratégias realmente efetivas.
O raciocínio básico em defesa das quarentenas é tão simples e aparentemente tão correto, que parece incontestável. Se toda a população permanecesse realmente em isolamento total, por um tempo muito longo, o vírus pararia de circular e a epidemia seria controlada. Isto é um claro exemplo de dissociação entre a lógica e a realidade, o que parece assim tão certo na lógica, é absolutamente falso na realidade. O verdadeiro fracasso, na grande maioria das tentativas, na grande maioria dos países que seguiram esta lógica, comprova a falsidade, o erro real.
Em primeiro lugar, simplesmente porque é virtualmente impossível se obter o isolamento total e mesmo um isolamento quase total de uma grande população por tempo prolongado. Todos nós vivenciamos os absurdos cotidianos de uma tentativa de quarentena generalizada que era, sempre, em parte impossível e em parte farsa.
Além disto, a concentração dos esforços sociais e profissionais na imposição e adoção das quarentenas generalizadas prolongadas, como o eixo da estratégia de prevenção levou à negligência de cuidados de proteção individual em muitos casos, muitas vezes expondo justamente os mais vulneráveis, aqueles que mais se tinha que proteger, mas que foram estupidamente misturados aos demais, na fantasia de um isolamento universal. Por incrível que pareça isto ocorreu, de modo absurdo, nos próprios serviços de saúde, onde o isolamento necessário dos casos suspeitos e seus contatos raramente foi corretamente executado, de modo que com frequência eles se tornaram em centros de disseminação da doença e da morte.
Por pior que tenham sido estes vícios e erros das tentativas de quarentenas generalizadas, eu entendo que o seu efeito mais danoso foi competir com a estratégia correta e imprescindível para a contenção da epidemia antes da vacinação em massa, que foi a estratégia de testagem em massa reiterada, contínua, e isolamentos e lockdowns pontuais, dirigidos pelos resultados da testagem. Foi isto que, ao fim, levou a que tívessemos grupos com resultados gerais tão discrepantes sob todos os aspectos relevantes para a saúde da população e para a economia social, sempre em favor daqueles países que adotaram a testagem em massa como estratégia central.
Um aspecto também de máxima relevância que justifica o verdadeiro delírio técnico, científico, político e social, na imposição das quarentenas nacionais generalizadas prolongadas, reiteradas ou contínuas, é a grande ignorância relativa, a ingenuidade e até irresponsabilidade dos responsáveis técnicos da área, tanto em relação à exequibilidade e efetividade da medida proposta quanto sobre o contexto social e econômico em que nos encontrávamos e principalmente sobre os impactos continuados destas medidas nas economias sociais, na qualidade de vida e saúde das populações.
As estratégias de prevenção da Covid no contexto da crise mundial
A irracionalidade relativa da estratégia de prevenção da Covid pré vacina, baseada nas quarentenas generalizadas ou lockdowns nacionais prolongados, majoritariamente adotada na Europa e nas Américas, incluindo aí alguns dos países mais avançados economicamente e cientificamente, mesmo diante da gravidade das consequências de um equívoco tão grande, se explica e se agrava, ainda mais, quando ela é entendida dentro da série de irracionalidades sistêmicas, da maior gravidade e com as piores consequências, que se avolumaram recentemente.
O principal exemplo, o principal sintoma ou a principal manifestação deste período de crescente irracionalidade mundial é o aumento exponencial de guerras e conflitos armados. Como exemplos que chamam a atenção mundial na atualidade, cite-se a guerra da Ucrânia, que trouxe o conflito armado, em larga escala, novamente para dentro do território europeu, depois de um longo intervalo. Também é característica deste período, a resposta da OTAN e, agora, principalmente da Europa e do Reino Unido, à esta guerra da Ucrânia, sustentando militar e financeiramente a guerra, ao que parece até o último soldado ucraniano, e adotando uma escalada armamentista como antecipação para uma possível e até provável guerra direta contra a Rússia. O genocídio do povo palestino, também merece destaque, pois, apesar de não ser uma novidade, tomou características agudas de um campo de extermínio em massa, quase uma solução final, digamos assim, justamente agora, neste momento histórico. Além destes, um sem número de outras guerras e conflitos locais, internos, explode mundo afora.
A guerra tarifária dos EUA contra o mundo também se inclui aí.
Eu entendo que as medidas de quarentena nacional generalizada e ininterrupta, contra a COVID, também se explicam como mais um elo nessa cadeia de decisões estranhas, erradas e absurdas, que, no entanto, têm sentido em um processo de crise econômica generalizada. De fato, elas foram tentadas, foram adotadas, seja lá com qual grau de rigor e efetividade, em princípio nos países ricos, hegemônicos, ocidentais, na Europa, no Reino Unido, nos EUA e, a partir daí, em suas áreas de maior influência imediata, como a nossa América Latina, infelizmente. E, também, é fato que, em geral, elas resultaram de aplicabilidade limitada, penosa e insatisfatória, com baixa efetividade e alto custo econômico e social.
Todas estas ações são, em si, fundamentalmente irracionais e autolesivas e todas elas se encadeiam em um processo que já vem se desenrolando desde os fins da primeira década do século. Eu entendo e sustento que há uma causa comum impulsionando esta série de ações absurdas: a crise econômica que fustiga o sistema mundial, desde 2007, atingindo, em especial, os países mais ricos e poderosos do sistema, a aliança de poder hegemônico, centralizada pelos EUA. O resultado comum destes movimentos, todos, é, de algum modo, a quebra de cadeias produtivas e de consumo, a destruição de capital e tudo o mais que deriva daí. Ou seja, são formas de realização, de manifestação, de expressão da própria crise econômica e tendem a agravá-la (10).
Como destacado acima, o exemplo mais extremo destes absurdos é, evidentemente, a guerra, que, contudo, atende a muitas necessidades e adquire uma verdadeira racionalidade em uma situação de crise econômica, por mais absurdo que isto possa parecer. Atende à necessidade de queima de capital, pela destruição direta da infraestrutura, das edificações etc e pela morte de milhares ou de milhões. Atende, também, à necessidade de incentivo à economia, através de um empreendimento com realização garantida, o chamado "keynesianismo de guerra". E se presta, de modo praticamente perfeito, à necessidade de manipulação e mobilização da ideologia coletiva, num momento de grande insatisfação e tensão social e política.
É preciso considerar ainda que na economia, de uma nação ou do mundo, assim como em todos os mecanismos e processos complexos, em geral, em uma situação de crise sistêmica se formam muitos círculos viciosos que tendem a manter e agravar a própria crise. O que termina por justificar ainda mais medidas extremas de impacto destrutivo sobre a economia e a vida social. Exemplo maior disto, na atualidade, é a extrema concentração de riquezas que, apesar de estar na raiz desta grande crise, continua sendo imposta, defendida e ampliada pelos governos, nas principais economias da aliança hegemônica.
Nos útimos anos e décadas têm se formado, portanto, verdadeiros círculos viciosos recessivos, de crise e disrupção, no interior dos países e no sistema mundial, enquanto medidas contracíclicas limitadas têm buscado o efeito contrário. Infelizmente, as medidas de contenção da pandemia adotadas largamente no mundo ocidental, podem ser colocadas neste grupo de ações que ajudam a formar estes círculos viciosos recessivos de difícil recuperação. A UNCTAD calcula um gap importante entre o crescimento real da economia mundial pós Covid, em comparação com a tendência anterior (10), como mostra o gráfico abaixo.
Quero destacar, por fim, que o resultado destrutivo de uma crise econômica e social de grandes proporções nunca pode ser desprezado e certamente ele pode ser bem maior do que aquele de uma grande epidemia. Isto pode ser medido, por exemplo, pela figura histórica da grande crise do século passado, que abrange a grande depressão de 1929 e as duas grandes guerras chamadas mundiais, com todas as suas consequências extremas. Alguém pode até questionar, equivocadamente, que as duas guerras e sua imensa destruição não se vinculariam diretamente à crise econômica. Mas, a grande crise humanitária do fim da URSS, é mais recente bem documentada, E é incontestável que, sem nenhuma epidemia, sem revoluções, sem guerra civil e sem guerra externa, levou a uma queda da expectativa de vida, na Rússia, 04 vezes maior do que a queda na expectativa de vida mundial devida à COVID. E foram necessários 10 anos para a Rússia recuperar esta perda.
Está claro para mim, contudo, que sairemos desta grande crise, pelas necessidades do próprio sistema, por um novo processo de socialização, pela redistribuição das riquezas e melhoria do acesso a bens e serviços para as massas, no interior dos diversos países do sistema econômico mundial e pela maior e melhor integração e coordenação mundial, da produção e da vida social em geral. E isto já está acontecendo, com todas as dificuldades e contradições presentes.
Notas
Efeitos da Pandemia
1. A pandemia reduziu a expectativa de vida global em 1,6 anos entre 2019 e 2020.
https://www.healthdata.org/news-events/newsroom/news-releases/covid-19-had-greater-impact-life-expectancy-previously-known March 11, 2024
No entanto, essa queda não apagou os avanços das últimas décadas, e a recuperação foi observada nos anos seguintes.
2. Li X, Zhu JL, Park JM, Mitchell J. Unravelling the determinants of life expectancy during and after the COVID-19 pandemic: a qualitative comparative analysis. J Glob Health. 2025;15:04126
3. Karunarathne, M., Buddhika, P., Priyamantha, A. et al. Restoring life expectancy in low-income countries: the combined impact of COVID-19, health expenditure, GDP, and child mortality. BMC Public Health 25, 894 (2025). https://doi.org/10.1186/s12889-025-22109-4
Crítica aos Lockdowns Generalizados
Custos sociais dos lockdowns:
4. Aumento de depressão (27% na UE, OMS/2021), alcoolismo (+30% nos EUA, NIH/2021).
Interrupção de tratamentos médicos (ex.: 40% menos diagnósticos de câncer no UK em 2020).
Baixíssima efetividade e altíssimo custo econômico
5. Estudo da Johns Hopkins (2022): Lockdowns na Europa/EUA reduziram mortes em apenas 0,2%, mas custaram até 4,5% do PIB.
Herby, Jonas and Jonung, Lars and Hanke, Steve (2022): A Literature Review and Meta-Analysis of the Effects of Lockdowns on Covid-19 Mortality - II. MPRA Paper No. 113732, posted 15 Jul 2022 13:30 UTC. Online at https://mpra.ub.uni-muenchen.de/113732/
Eficácia da testagem em massa como estratégia de contenção da COVID-19 .
Pesquisas sugerem que países que adotaram rastreamento em massa e medidas restritivas pontuais tiveram melhores resultados do que aqueles que optaram por quarentenas generalizadas e prolongadas.
6. Lopes-Júnior LC, Bomfim E, Silveira DSCD, et al. Effectiveness of mass testing for control of COVID-19: a systematic review protocolBMJ Open 2020;10:e040413. doi: 10.1136/bmjopen-2020-040413
7. Facundo Piguillem, Liyan Shi, Optimal Covid-19 Quarantine and Testing Policies, The Economic Journal, Volume 132, Issue 647, October 2022, Pages 2534–2562, https://doi.org/10.1093/ej/ueac026
8. Feng, Zhaomin, Zhang, Yi, Pan, Yang, Zhang, Daitao, Zhang, Lei and Wang, Quanyi. "Mass screening is a key component to fight against SARS-CoV-2 and return to normalcy" Medical Review, vol. 2, no. 2, 2022, pp. 197-212. https://doi.org/10.1515/mr-2021-0024
OMS e Testagem em Massa
9. "Testar, isolar e rastrear contatos é a espinha dorsal da resposta"
"We have a simple message to all countries - test, test, test,"
Tedros Adhanom Ghebreyesus. WHO Director General. News Conference. Geneva, 16/03/2020.
Crise econômica e decisões irracionais
10. Estudos indicam que períodos de recessão podem levar a medidas extremas e irracionais, como guerras e políticas protecionistas, que muitas vezes agravam a instabilidade global. A crise econômica pós-COVID pode ter influenciado decisões políticas e militares recentes, reforçando ciclos viciosos de recessão e instabilidade.
https://unctad.org/news/unctad-warns-policy-induced-global-recession
UNCTAD. Trade and Development, 2022
"A synchronized slowdown in the global economy affecting all regions"
Bibliografia que estima os ganhos pelas medidas de isolamento e lockdowns
11- Flaxman et al.“Estimating the effects of non-pharmaceutical interventions on COVID-19 in Europe” (Nature, 2020)
- Principal conclusão: medidas não farmacológicas, com ênfase em intervenções de supressão como lockdowns, reduziram fortemente Rt e evitaram um grande número de mortes na Europa nas primeiras ondas. Milhões de mortes evitadas (a magnitude dependia do cenário e do conjunto de países analisados). os resultados mostram efeito substancial das intervenções combinadas.
12- Hsiang et al. (Nature, 2020)
- Principal conclusão: políticas anti‑contágio em larga escala (incluindo quarentenas, fechamento de atividades e restrições de mobilidade) reduziram significativamente a taxa de crescimento do COVID‑19 em vários países analisados. Dezenas de milhões de infecções evitadas ao comparar cenários com e sem intervenções.
13- Courtemanche et al. (Health Affairs, 2020)
- Principal conclusão: fortes medidas de distanciamento social nos EUA associaram‑se a quedas na taxa de crescimento de casos do COVID‑19.
14- Chinazzi et al., “The effect of travel restrictions on the spread of the 2019 novel coronavirus (COVID-19)” (Science, 2020)
15- Kissler et al., “Projecting the transmission dynamics of SARS-CoV-2 through the postpandemic period” (Science, 2020) — inclui análise sobre efeitos de intervenções sociais prolongadas/recorrentes
16- Pan et al., “Association of public health interventions with the epidemiology of the COVID‑19 outbreak in Wuhan, China” (JAMA, 2020)
17- Anderson et al., “How will country-based mitigation measures influence the course of the COVID-19 epidemic?” (Lancet, 2020) — discussão teórica e modelagem sobre mitigação nacional (inclui suporte a medidas amplas)
Lista de 37 países com mais de 50 milhões de habitantes
Índia, China, Estados Unidos, Indonésia, Paquistão, Nigéria, Brasil, Bangladesh, Rússia, México, Japão, Filipinas, Egito, Vietnã, Etiópia, Turquia, Irã, Alemanha, Tailândia, França, Reino Unido, Itália, África do Sul, Mianmar, Coreia do Sul, Colômbia, Espanha, Ucrânia, Argentina, Argélia, Sudão, Iraque, Afeganistão, Polônia, Canadá, Marrocos, Arábia Saudita, Uzbequistão, Malásia, Peru, Angola, Moçambique.
Lista dos 32 países que adotaram a testagem em massa como estratégia central
China, Vietnam, South Korea, Singapore, United Arab Emirates, Iceland, Taiwan, Luxembourg, Norway, Japan, Mongolia, Thailand, Malaysia, Brunei, Philippines, Israel, Qatar, Bahrain, Saudi Arabia, Austria, Germany, Denmark, Finland, Estonia, Lithuania, Canada, Rwanda, Morocco, Nova Zelândia, Austrália, Uruguay, Bhutan.
Esta lista inclui os países que adotaram em tempo hábil, desde o início, a testagem em massa como estratégia central. Muitos, como a Nova Zelândia e a Austrália, adotram as quarentenas generalizadas. também.
* Dados produzidos com o recurso a IA a partir do "Our World in Data"
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