segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Análise do Desenvolvimento do Sistema Capitalista Contemporâneo
Os dados gerais disponíveis, sobre a evolução da economia mundial, com enfoque especial na economia dos EUA, dado o seu peso e relevância, que foram apresentados acima (Sala de Situação do Segundo Semestre de 2024 – Parte 1), permitem identificar, ou delinear, uma série de ondas, etapas ou momentos do processo histórico do sistema econômico mundial contemporâneo.
Antes de 1913, quase não temos dados globais e os próprios dados dos EUA são limitados, mas podemos identificar aí uma onda de acumulação liberal, que vai findar, justamente, em 1913/1914, quando começa a grande crise sistêmica mundial. Uma crise de acumulação, de realização do capital, característica do fim de uma onda de acumulação liberal, que perdura até 1945, com o fim da Segunda Grande Guerra Mundial. Foi um período de baixo crescimento do PIB e do PIB per capita, do mundo, e de baixa também no comércio e nos investimentos internacionais.
Ao fim da Segunda Guerra Mundial emerge a onda socializante em todo o sistema, a onda social-democrata, especificamente, nos países hegemônicos, que perdura até os fins dos anos 1970. Foi um período de grande redistribuição de renda e riqueza nos países centrais do sistema e um período de acelerado crescimento do PIB e do PIB per capita, mundiais, assim como do comércio e investimentos internacionais, tanto em absoluto quanto em proporção ao PIB mundial.
A partir de finais dos anos de 1970, no entanto, esta onda colapsou e deu lugar à nova onda liberal, à onda neoliberal, que prevaleceu no sistema a partir dos anos 1980. As taxas de crescimento do PIB e do PIB per capita se reduzem, em relação ao período anterior, e têm uma redução ainda mais acentuada e tendencialmente progressiva, desde 2007, quando começa a grande crise atual, a crise de fim da onda neoliberal. O comércio e os investimentos internacionais, contudo, seguiram com taxas crescimento acelerado, até 2007 / 2008, quando também arrefecem muito e se tornam até negativas, em relação ao PIB global.
Não é difícil entender que estas grandes tendências de crise econômica mundial não se arrefeceram e nem muito menos se resolveram, desde 2008, mas que estão fortemente controladas e mitigadas pelas estruturas de regulação sistêmica, nacionais e internacionais, e pelas medidas anticíclicas largamente implementadas, desde então.
A análise histórica nos permite concluir que há uma tendência predominante de socialização do sistema capitalista mundial, na contemporaneidade, apesar das perdas neste sentido, impostas pelo período neoliberal, e é justamente por isto, por todos os mecanismos e sistemas socializantes no sistema que a intensidade da crise e de seus danos, até o momento, tem sido muito mitigada, em comparação com o ciclo anterior, no século passado. E mesmo neste momento de extrema contraditoriedade, as tendências determinantes do sistema persistem neste sentido.
Estamos, no presente, no ápice da crise sistêmica de fim da onda neoliberal. É coerente com esta condição histórica o crescimento do imperialismo e do fascismo no sistema. Mas, ambos serão derrotados, assim como foram no século passado, pois são necessidades do sistema, que uma nova onda socializante prevaleça, ao fim da derrocada desta onda neoliberal, uma nova onda de redistribuição da renda e da riqueza social e de integração mundial, econômica e social e política, se desenvolverá. Já está se desenvolvendo, com a liderança da China Socialista.
Posso dizer que estas duas tendências socializantes, de redistribuição da riqueza e de integração mundial, correspondem a necessidades do sistema, mas em níveis estruturais diferentes. A necessidade de redistribuição da riqueza se assenta no estágio atual do ciclo próprio da economia capitalista liberal, do capitalismo liberal, pois estamos agora em um máximo de concentração das riquezas e esta é, justamente a causa central da crise sistêmica atual, da crise de realização do capital, que, portanto, só se resolverá com uma nova redistribuição. Já a integração mundial é uma necessidade sistêmica correspondente ao nível atual de desenvolvimento científico e tecnológico da produção no mundo e, por isto, é uma necessidade para a economia mundial em seu nível mais estrutural, estabelecido pelo simples desenvolvimento das forças produtivas, o que, por sua vez, parece corresponder a necessidades mais profundas ou características mais profundas do ser e do desenvolvimento humano.
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