segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
A Crise Atual e o Processo Histórico Contemporâneo - Sala de Situação Segundo Semestre de 2024
Sala de Situação Segundo Semestre de 2024: A Crise Mundial e a Nova Governança Global
Parte 1. A Crise Atual no Processo Histórico Contemporâneo: Alguns Dados Comparativos
A crise de 2007/2008/2009 foi a recessão mais profunda e mais duradoura dos EUA desde a segunda guerra mundial. A perda foi de mais de 4,5% do PIB nesta que foi chamada de a Grande Recessão. Desde 1960, houve recessão global nos anos de 2009 (-1,4%) e 2020 (-3%). Mas, assim como a queda do PIB global de 2009 começou no final de 2007, a queda do PIB de 2020 começou em 2018. Em todos os casos, obviamente, com um grande peso da recessão norteamericana. Neste período ocorreram grandes desacelerações na taxa de crescimento do PIB global, em 1974 -1975 e de 1980 a 1982, na crise do fim da onda social democrática do pós guerra, no sistema capitalista mundial. Mas, recessões, mesmo, só aconteceram agora, em 2009 e 2020, na crise liberal, no fim da onda neoliberal no sistema capitalista mundial, momento histórico em que nos encontramos agora. Pondo as coisas num contexto histórico mais amplo, para comparação e análise, estima-se que na grande depressão, entre 1929 e 1932, o PIB mundial caiu 15% e só retornou ao nível pré crise em 1939, quando se iniciou a segunda grande guerra mundial, com o seu grande impacto destrutivo sobre boa parte da economia mundial. De 1950 até a segunda metade da década de 70, ao contrário, houve alto crescimento, em geral, com média em 5% ou mais. Depois, nos anos 80, a média diminuiu para perto de 3%. E se vem se reduzindo ainda mais, aos poucos, desde 2007.
Quando se considera a taxa de crescimento anual do PIB real mundial, per capita, no século XX, o período até 1913 é de médio crescimento (1,5%), o período de 1914 a 1949 é de baixo crescimento (0,7%), de 1950 a 1974 é de alto crescimento (3%) e daí até os anos 2000 voltou a ser médio (1,5%). Com certeza está em nível mais baixo agora, desde 2007, já que o crescimento do PIB mundial tem sido menor, progressivamente menor, desde então.
Em relação ao comércio exterior registra-se que o seu volume, o valor e a participação no PIB mundial cresceram exponencialmente, desde a segunda metade do século passado, até a crise de 2008. Desde lá o comércio global geral, em termos de volume e valor, continua significativamente crescente, mas de modo muito mais irregular, com quedas importantes em 2007-2010 e 2020-2021. E, em relação ao PIB global, o valor do comércio global se tornou estacionário ou decrescente, desde então, desde 2007/2008. No prisma histórico mais amplo, houve duas ondas de crescimento acentuado do peso do comércio global na economia global, documentadas, nos últimos 2 séculos. A primeira, entre 1860 e 1914, foi seguida por uma queda profunda, no período da grande crise econômica do sistema capitalista liberal mundial do século passado, entre 1913 e 1945, quando atingiu um nível menor do que aquele de 1927, em proporção ao PIB global. A segunda onda de crescimento acentuado do comércio mundial iniciou-se então, a partir de 1945, e veio até 2007, quando entramos novamente em uma grande crise do sistema capitalista liberal mundial.
O volume do Investimento Externo Global também cresceu exponencialmente a partir das últimas décadas do século passado, até a crise de 2008. Desde lá está sofrendo muitas oscilações e tem trajetória predominante de queda.
Considerando o custo em perdas de vidas humanas, as duas grandes guerras internacionais do século passado, juntas, mataram em torno de 100 milhões de pessoas e a gripe espanhola matou 50 milhões, aproximadamente. Em todo o século XX as guerras mataram em torno de 180 milhões, em uma população de aproximadamente 2 bilhões de pessoas, em todo o mundo. Enquanto, no presente século, até Abril de 2024, a Covid matou algo próximo a 7 milhões e as guerras no século XXI mataram, por enquanto, menos de 5 milhões de pessoas, em todo mundo. Em uma população total de 8 bilhões. Até a pandemia foi bem menos dramática, ainda que isto se deveu, em grande parte, pelas características dos agentes infecciosos, e proporcionalmente, são menos guerras e bem menos violentas, até agora, em relação ao século passado.
Isto, com certeza, tem a ver não só com o desenvolvimento geral, mas também, particularmente, com as ações da socialdemocracia ou do socialismo e do globalismo, desde o pós guerra.
Um bom exemplo e uma boa medida disto são os recursos públicos injetados na economia nos pacotes de medidas anticíclicas.
Em 2009, o Governo dos EUA assumiu um ônus de USD 0,5 trilhão (3,55% do PIB da época) para resgate de instituições financeiras em crise. O TARP aprovado no congresso para enfrentar a crise foi de 700 bilhões de USD, mais 250 bilhões para a compra de bônus bancários. Mais 156 bilhões do ato de estímulo econômico, de 2008, para a proteção social: transferência de renda, além de aumento do seguro-desemprego, food-stamps e reduções / isenções em impostos. No total, foram mais de 1,5 trilhões de USD injetados na economia americana pelo governo para enfrentar a Grande Recessão. Tudo isto permitiu uma rápida retomada da economia, que foi seguida por um crescimento seguro por 10/11 anos, a partir de 2010. O mesmo foi feito na Europa - Inglaterra, em escala menor em cada país, mas, creio que em seu conjunto foi tão grande ou maior que nos EUA.
O combate à recessão de 2020, por seu turno, teve um custo de mais de 3,4 trilhões de USD, nos EUA, desta vez não focalizados no mercado financeiro, mas, que, mesmo assim, terminaram sendo concentradores de renda. Estes recursos injetados pelo governo dos EUA, através do CARES act e do Response and Relief Act, entre outros, em 2020 e 2021, contribuíram para uma recuperação mais acelerada da recessão, apesar dela ter sido mais profunda em 2020 (-2,8% GDP) do que em 2009 (-2,6%). E, mais uma vez isto se repetiu por todo o mundo.
Foram, só nos EUA, mais de 5 trilhões, e, no mundo todo, próximo de 15 trilhões de USD, talvez, certamente mais de 10 trilhões, injetados pelos governos nacionais nas economias do conjunto dos países, desde o início da crise econômica atual, em 2007. E este valor continua crescendo, apesar do espaço para novas injeções de trilhões de dólares, para socorro anticíclico, ser cada vez menor.
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