segunda-feira, 20 de novembro de 2017
PAUTA ESSENCIAL DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
https://www.unasus.gov.br/sites/default/files/pauta_essencial_da_atencao_primaria_paulo_fleury.pdf
Copia e cola o LInk, baixa e salva a
PAUTA ESSENCIAL DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE.
Esse protocolo de 2015 foi feito ao longo de anos, com a colaboração de profissionais de saúde e gestores no nível municipal, estadual e nacional.
É uma boa base para a organização da APS focada nos principais agravos à saúde pública no nosso país e tendo como norte a promoção da saúde, inclusive a prevenção quaternária (prevenção dos excessos e erros da prática médica).
Vale a pena ler e ter consigo.
O QUE OS MÉDICOS QUEREM DIZER QUANDO FALAM QUE ALGO É OU NÃO É "CIENTIFICAMENTE COMPROVADO".
O termo cientificamente comprovado é vago e impreciso, pois de fato, tudo o que é "cientificamente comprovado" hoje muito provavelmente amanhã será visto como equívoco e erro. Pois a ciência sempre avança e destrói os conceitos antigos.
Os médicos fazem isso para se precaverem escudando-se naquilo que e protocolar, isto é, nas condutas e terapeuticas que são recomendadas pelas associações de especialidades. Mas nem sempre o que estas associações recomendam é realmente comprovado e o que elas não endossam carece de comprovação.
Na verdade existem vários níveis de evidência médico científica e todos podem ser considerados base para a tomada de decisão terapeutica consciente.
No nível mais baixo, de menor segurança, estão as teorias, os conceitos e as ideias oriundas das ciências de base, ou seja as deduções feitas por cientistas que podem indicar uma alternativa terapeutica. Do mesmo nível baixo de evidência são as opiniões de especialistas e os estudos feitos com modelos animais (as cobaias). Esses são, portanto, os níveis mais baixos de evidência.
Em um nível um pouco acima encontram-se os relatos comprovados de casos, com acompanhamento sistemático e comprovação de resultados clínicos e ou laboratoriais.
Em um nível superior estão os estudos com grupos de pacientes não controlados (isto é, sem grupo controle) ou não aleatorizados (isto é, sem que a seleção dos participantes dos grupos terapeutico e de controle seja por acaso),
E no nível mais alto estão os ensaios clínicos ou trials (estudos aleatorizados com grupo controle). E, no nível máximo, a análise conjunta de vários ensaios clínicos sobre o mesmo tema (metanálise).
As decisões terapeuticas são de fato, e devem mesmo ser, tomadas a partir de qualquer nível de evidência, desde que não haja evidência de nível superior ou alternativa terapeutica mais segura.
Portanto, qdo um médico falar q tal coisa é cientificamente comprovada ou não é cientificamente comprovada, vc deve questionar qual é a fonte dessa informação e qual é o nivel de evidência em q ele se apoia.
E lembre-se: todas as evidencias atuais deverão ser, com o tempo, modificadas e o que parece hoje completamente certo e seguro poderá ser considerado incerto e errado...
Quase um século se passou desde a adoção da primeira norma internacional
sobre jornada de trabalho, que estabelece o princípio das oito horas por dia e
48 horas por semana. E depois do sistema industrial, do taylorismo, do fordismo, da automação, da revolução digital...
Qual é a jornada de trabalho média, real hoje no mundo e aqui no BR?
Aqui a lei diz que é 8 hs em 5 dias e 4 hs e 1 dia da semana. 44 hs por semana. Mas a realidade como é mesmo... E o tempo de deslocamento, é parte, ao menos em parte da jornada de trabalho real, não é?
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Entrevista sobre a questão da criminalização da maconha e outras drogas
Qual seu nome completo e profissão?
Paulo Fleury Teixeira. Médico e Filósofo.
Qual a sua relação com a maconha?
Profissionalmente, sou um médico com a prática clínica baseada no uso da maconha medicinal. Trato, com a maconha medicinal, principalmente pessoas com autismo, epilepsia, dor neuropática, fibromialgia, doença de Parkinson e outras doenças neurodegenerativas e também problemas de saúde mental e da dependência química (álcool, tabaco, medicamentos psiquiátricos,, cocaína, crack etc.).
Considero, portanto, pelo aspecto de saúde pública, a proibição e criminalização do uso e do plantio da maconha como um contra senso absurdo, como uma total estupidez, já que se proíbe algo que é de baixo risco para a saúde e a vida das pessoas, ao passo que se libera e até incentiva o consumo de drogas altamente tóxicas.
Politicamente, em que pé está a legalização da maconha no Brasil? Legalização e descriminalização: qual a diferença? O que seria melhor para o Brasil? Estamos preparados para a legalização? Socialmente, no que a proibição da maconha ajuda? E no que prejudica? Acredita que isso vai ocorrer, levando em conta o cenário político que temos hoje (como a bancada evangélica, por exemplo)? Mais alguma consideração sobre o assunto?
Acho que essas dá pra responder em grupo.
Bom hoje a maconha é ainda considerada uma planta proscrita ou proibida, de modo que é crime o plantio, preparação e comércio da maconha. A legislação brasileira, desde 2006, não tipifica claramente o uso da maconha ou de qualquer outra droga, de modo que para alguns isso ainda é crime, enquanto outros consideram que o uso não é crime; seria, portanto, uma questão de saúde pública.
Mas é justamente como questão de saúde pública que a criminalização da maconha é um absurdo e uma estupidez gritante. Isso porque além de ter um risco para a saúde e taxa de dependência baixíssimos na comparação com qualquer droga, ilegal ou legal, hoje no Brasil (como o álcool, o tabaco e os medicamentos psiquiátricos em geral), a maconha ainda é terapêutica para diversas doenças e pode ser uma ferramenta de redução de danos importante no tratamento dos dependentes químicos dessas drogas legais e das ilegais também.
Então hoje a gente vive essa criminalização burra das drogas em geral e da maconha em particular. É difícil refletir sobre isso, porque justamente toda a ideologia da guerra às drogas foi montada para nos impedir de pensar sobre o assunto.
Justamente por essa doutrinação ideológica estúpida, as pessoas devem se perguntar, mas como, como sequer pensar em liberar as drogas, se elas são destruidoras da saúde física e mental dos indivíduos e causa da violência nas cidades e da degradação das famílias?
Mas a questão é que nada disso é verdade quando se faz uma análise mais realista dos fatos e quando se compara os riscos da maconha em relação às drogas legais.
Com certeza a maconha traz muito menos risco à saúde das pessoas em geral do que o álcool, o cigarro e os medicamentos psiquiátricos na sua quase totalidade. Sim essas drogas legais estão associadas a uma série de doenças graves, mortes precoces, suicídios e até mesmo violência doméstica. Já a maconha não. Ao contrário, como já disse, a maconha pode ajudar a evitar e reduzir os riscos e danos à saúde por causa dessas drogas legalizadas.
Então, quando te falam que a maconha, e várias outras drogas, tem que ter proibição, tem que ter repressão, por causa da saúde pública, para proteger a saúde das pessoas, é uma grande mentira. E pior do que uma mentira simplesmente. É uma total e completa inversão da realidade.
Uma mentira e uma inversão da realidade que nos custa milhares de vidas e bilhões de reais todos os anos.
Mas se o grande argumento da ideologia da guerra às drogas é o dano à saúde pública e isso é, em geral, uma farsa, então a proibição deve ser porquê a maconha e as outras drogas proibidas são grandes causadoras de violência. Bom, qualquer pessoa que tenha um mínimo conhecimento dos efeitos da maconha sabe que isso é outra bobagem sem tamanho.
Mas então se as justificativas da guerra contra as drogas são falsas, se são apenas enganos ou mentiras repetidas sistematicamente. Então, porque isso é assim?
É muito estranho mesmo que algo sobre o qual se tenha dedicado tanto tempo, tantos recursos, tantas pessoas tenham sido presas ou mortas por causa disso, sob a alegação de grande risco à saúde e à segurança pública, mas, que quando se olha para os fatos, para a realidade, para os dados objetivos, o que se vê é o contrário. Comparado à maconha, as drogas legais são infinitamente mais prejudiciais para a saúde e qualidade de vida das pessoas assim como para a segurança pública.
Mas por outro lado, é fato que todos os dias dezenas, centenas, de pessoas são presas, torturadas, executadas sumariamente, estão sujeitas a isso e a tudo o mais que se queira pensar em termos de repressão e terrorismo de estado, “por causa das drogas”. E certamente alguém é vítima e alguém ganha com esse terrorismo e com essa violência exercida em nome do estado.
Do mesmo modo, com a criminalização, rolam bilhões de reais de forma ilegal, através de canais ilegais, chegando aos mais diversos pontos da nossa sociedade (a politica, a justiça, a polícia, por exemplo). E, certamente quem ganha muito com essa ilegalidade não quer mudar isso.
Por fim existem aqueles que se locupletam do sofrimento alheio e fazem dos problemas de saúde e pessoais dos dependentes químicos o seu mercado. Aí vão os religiosos, que têm no terrorismo contra as drogas parte grande do seu arsenal discursivo. E também o sistema médico psiquiátrico que ganha combatendo a dependência das drogas com a dependência por outras drogas, muitas vezes piores..
Por fim não acho q no contexto político brasileiro atual se possa avançar em absolutamente nada realmente importante no que toca à legalização ou regulamentação das drogas hoje ilegais. As forças que ganham com o terrorismo anti-drogas , mesmo às custas de milhares de vidas e bilhões de reais, são poderosas, estão bem organizadas e são hegemônicas na sociedade.
Mas a questão está se modificando bastante com a ampliação do uso medicinal da maconha. Com isso está sendo possível abrir uma brecha na parede de preconceito e ignorância que circunda a questão das drogas.
E a sociedade é dinâmica e estamos em um momento histórico peculiar de crise estrutural profunda que pode trazer surpresas e aquilo que parecia um grande retrocesso se converter em um processo de transformação positiva.
Se de fato ocorrer um processo positivo no sentido da liberalização de produção e consumo das drogas em geral e da maconha (não apenas medicinal) em particular, ele deveria ser o mais aberto e o mais responsável o possível. E o que quer dizer isso? Quer dizer que, no que toca aos reais riscos das drogas para pessoas adultas, é a informação qualificada e realista (não o terrorismo farsante que ainda se divulga hoje em dia) o principal instrumento de proteção das pessoas e não a repressão, não a violência,...
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
A redução de danos em raves
Tema:
A redução de danos em raves
Metodologia:
Entrevistas livres e observação participante.
Foram realizadas entrevistas informais na forma de conversas pessoais e rodas e conversas sobre uso de drogas pelo público que frequenta raves. Os sujeitos dessas entrevistas foram representativos dos diversos públicos que atendem a estas festas ou pertencem à cultura psy em geral: público em geral, Djs, hippies, pessoal da montagem, decoração e organização das festas, vendedores de drogas etc..
As observações, conversas e rodas de conversa, foram realizadas em eventos e fóruns ligados à música eletrônica psicodélica e à cultura psicodélica ao longo dos últimos anos, especialmente no festival PVT-SecretL25 realizada em 12 a 15 de Outubro de 2017.
Buscou-se identificar os usos de drogas durante as festas e festivais e fora deles, assim como a percepção de riscos e usos problemáticos das drogas por parte dos frequentadores.
A partir dos resultados dessa pesquisa qualitativa e de informações epidemiológicas e farmacológicas sobre as principais drogas utilizadas por esse público se propõe ações de RD direcionadas a ele.
Resultados e conclusões:
Os diversos extratos do público frequente a raves e festivais de música eletrônica que foram entrevistados não diferiram muito entre si no que tange ao tipo de drogas consumidas durante as festas. Há uma grande frequência de consumo oral de papéis e gotas, supostamente de LSD e de comprimidos (balas) e cristais, supostamente de MDMA, mas que podem ter várias outras substâncias psicoativas misturadas em proporções diversas. Há também alta frequência de consumo de cocaína (de qualidade duvidosa e também de composição desconhecida), aspirada. Ocasionalmente também se utiliza a Bala ou os cristais de MDMA por aspiração. O consumo de Álcool, seja em bebidas de baixa, média ou alta concentração da droga (cerveja, catuabada e destilados) é também bastante comum. E o consumo de maconha e haxixe fumados é praticamente universal. Mais raro, mas com frequência crescente, tem sido o consumo de DMT (cristais ou Changa), também fumado. Mais raros são os consumos de Metanfetamina, Ketamina e Metilona, diretamente, mas é indicada a sua presença eventual nos papéis, balas e cristais supostamente de LSD e MDMA. Várias outras plantas, extratos e substâncias psicoativas como cogumelos, mescalina etc. são também consumidos com alguma frequência
Observou-se que o tabaco é de uso bastante difundido, seja como veículo para o consumo de haxixe, seja diretamente, em cigarros industrializados ou artesanais.
É muito baixo o uso de drogas injetáveis e de drogas comuns em outros ambientes como o crack e os solventes (cola, thinner).
Nota-se grande interesse sobre drogas, seus efeitos e riscos, entre os entrevistados ou nas rodas de conversa, sendo tema espontâneo frequente nesse público.
Nota-se o conhecimento, de nível mais alto do que na população em geral, sobre os efeitos e riscos das diversas drogas psicoativas mais frequentes nas raves. Contudo, verificam-se também grandes lacunas e preconceitos no entendimento do público mesmo sobre as drogas que mais frequentemente se usa.
Apesar de o álcool ser utilizado em frequência e intensidade bem menores que em outras festas, os riscos de dependência e do seu consumo em doses elevadas parecem ser negligenciados pela grande maioria dos participantes. O mesmo se pode dizer em relação ao tabagismo. De fato, o tabaco e o álcool são muito pouco lembrados quando se questiona o uso problemático de drogas pelos entrevistados ou por seus amigos e conhecidos da cena rave.
São muito raros os relatos de casos de overdose ou lesões orgânicas, sendo estes, com frequência, identificados à adulteração e desinformação sobre o(s) produtos em uso. Os principais problemas relacionados ao uso das drogas pelo público entrevistado foram, de fato, distúrbios de caráter psicossocial. A observação e os relatos de entrevistados indica a presença de episódios transitórios ou duradouros de perturbações psicossociais importantes como psicose, depressão e pânico. Especialmente no grupo de pessoas mais diretamente ligadas às festas (Djs, produção etc.) se identificam relatos de caso e a correspondente preocupação com a dependência e com o uso abusivo crônico, principalmente de cocaína e ecstasy. Nos relatos de casos de uso problemático ou de efeitos negativos psicossociais apareceu como um componente relevante uma percepção de desajuste ou inconformidade na inserção dos sujeitos no ambiente sistêmico social.
Parece razoável conceber que tanto as substâncias quanto a própria cultura psy atraem e estimulam os indivíduos que de algum modo se encontram na fronteira do desajuste ou inconformidade psicossocial. Além disso, também parece razoável supor que a alteração de consciência que as diversas substâncias psicoativas em uso nas festas deve ser um estímulo ou um desencadeador de diversos graus desse desajuste e inconformidade psicossociais.
Contudo, e talvez justamente por isso mesmo, os eventos (raves, festivais, rituais) e a própria cultura psicodélica em si, são, de algum modo, amplamente reconhecidos, pelos entrevistados e nas rodas de conversa, como terapêuticos, curativos ou purificadores no sentido orgânico, psíquico, existencial e espiritual.
Não parece haver lugar para Redução de Danos no sentido mais tradicional de usos substitutivos ou supervisionado de drogas para dependentes em raves e similares. Por outro lado parece haver uma grande oportunidade e uma demanda real por informação sobre características farmacológicas e epidemiologia dos usos e efeitos das principais substancias, plantas ou extratos psicoativos utilizados nas raves. As próprias festas, como ponto de contato e difusão de informação são momentos relevantes neste sentido. A presença de ativadores de conversas e difusores de informação bem preparados nesses ambientes seria uma estratégia interessante neste sentido. Parece bastante interessante também a utilização dos momentos e espaços virtuais e reais de preparação das festas para a ativação dessa troca de informações.
A adulteração das drogas é reconhecida como um dos principais riscos no uso de drogas comum em raves. Todas as formas de garantia de qualidade das drogas em uso em festas e festivais de música eletrônica devem ser, portanto, formas de redução de danos nesses eventos. A testagem das substâncias deveria ser, portanto, uma preocupação objetiva dos organizadores. A testagem na pista, ao longo da festa, deve estar sempre disponível. Mas, parece pouco realista esperar uma testagem em proporção suficiente das drogas circulantes no curso da própria festa. Seria mais apropriado fazer também testes nas drogas circulantes no período de preparação da festa, acoplando os processos de testagem com a troca de informações sobre as drogas detectadas com o público envolvido normalmente na preparação das festas (e que certamente é difusor de informações nesse aspecto).
Por fim, os espaços e as atividades de acolhimento e suporte para as pessoas que apresentarem quaisquer aspectos problemáticos maiores relacionados ao uso das drogas durante as festas podem ser úteis nessas eventualidades.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
A regra é coletiva - atualizando Bakunin
1. a regra é coletiva,
2. o local é a origem da decisão,
3. os coletivos maiores são compostos por representações vinculadas à decisão local e revogáveis a cada momento pelo coletivo local,
4.processos coletivos de decisão direta podem/devem conviver com e substituir e tornar desnecessários os procedimentos do item 3.
5. a diversidade de comportamentos de indivíduos e coletividades é respeitada pelas regras universais até o limite da proteção à vida de outros.
à vida não é igual à propriedade
à vida não é igual à tradição, à religião, à ideologia etc
terça-feira, 26 de setembro de 2017
COMO EU ESTIMO AS DOSES PARA OS TRATAMENTOS COM MACONHA MEDICINAL
1. óleos importados com alto teor de CBD e baixo THC (<0,5%) - Padrão autorizado pela Anvisa.
2,5 a 20 mg/kg/dia. Para os casos de autismo, uso, em média, 5 mg/kg/dia. Por exemplo, uma criança de 30 kg deve usar aproximadamente 150 mg de CBD por dia.
É importante frisar que mesmo nos casos de óleos ricos em CBD, no padrão autorizado pela Anvisa, há tb efeitos do THC no tratamento. Pois o THC é ativo em doses muitas vezes menores que aquelas em que o CBD é ativo.
2. Óleos artesanais brasileiros. Nesse casos faço o cálculo de dose baseado no THC, pois como disse o THC é mto mais ativo q o CBD e os óleos brasileiros, todos, têm teores de THC bem acima dos limites padronizados pela Anvisa para importação.
Nesses casos eu me baseio em alguns resultados de testes e na minha experiência clínica.
Bom, tomo como referência principal os testes feitos com um óleo produzido aqui na região de BH. Que convencionamos chamar de mais concentrado ou a 2% porque foi essa a concentração total de canabinoides encontrada no teste do óleo.
Foi extraído em álcool, de modo que 100 gramas de flor resultou em 200 gramas (mls) de óleo. O que fez com que a gente também o chamasse de 1 para 2 ou 1x2.
Era de origem de uma planta de genética especial, de cultivo indoor, altamente resinada, riquíssima em THC (95% do total de canabinoides era THC).
Com base nessas informações estimei que cada ml desse óleo (2% ou 1x2) tinha 20mg de thc, ou seja, 1mg de THC por gota. Com isso pude estimar que a maioria dos tratamentos que tenho feito (autismo, epilepsia, dores cronicas, DSR, fibromialgia, parkinson, problemas psi etc), à base deTHC, estão na faixa de 2 a 40 mg de THC por dia.
Doses mais baixas são dadas para crianças menores e pacientes em uso de polimedicação neuropsiquiátrica.
Com base nesse resultado, pudemos então estabelecer concentrações menores (1%; 0,8% ou 1x4; 0,5%, 0,4% ou 1x8; 0,2% ou 1x16) que são, obviamente, proporções, do padrão base de 2%.
Também com base nesse resultado e em experiência clinica e pessoal pude estimar que os óleos produzidos com as plantas comuns no Brasil, de cultivo outdoor, resultam, na mesma proporção, em óleos bem menos concentrados ou potentes. Assim, considerando o padrão dos cultivadores ligados à religião do daime, do sul do pais (florianópolis) em que 3 mls da pasta são diluídos para um volume total de 30 mls, conclui que os seus óleos têm aproximadamente de metade da potência terapeutica do óleo a 2%, ou 1x2. Classifico-os, portanto, como óleos a 1% ou 1x4. E assim posso dosar o tto ou fazer a substituição de um óleo pelo outro, com alguma segurança. Ou seja, se usava o óleo a 1x2 ou 2% na dose de 2 gotas de 12 em 12 hs, então se for converter para um óleo do padrão de Floripa, então deve passar para 4 gotas de 12 em 12 hs.
Também fizemos teste de um óleo produzido no interior de Minas, extraído e diluído em glicerina. O teste revelou uma proporção alta de CBD neste óleo, mas não foi possível definir a concentração total dos canabinoides no óleo pois a sua diluição era alta demais e não chegou nem à medida mínima de concentração no teste. Com base também na minha experiência e nas características de planta e extração, cheguei a estimativa que esse óleo seria do padrão 0,2% ou 1x16, ou seja, 10 vezes menos potente que o óleo a 2%. Com isso também podemos fazer a estimativa de dosagem e transição de um óleo para outro com alguma segurança.
Originalmente considerei que esse seria o padrão dos óleos da Abrace (da paraíba), já que o processo e as proporções na extração seriam os mesmos (40-50 gramas de planta comum para 1 litro de produto final: extrato em glicerina).
O mesmo vale também, pelas poucas informações que tenho, para o óleo produzido por grupo no piauí.
O seja todos esses seria óleos extremamente diluídos, com utilidade para crianças muito pequenas ou pacientes em uso de polimedicação neuropsiquiátrica.
Lembrando, eles seriam 10 vezes menos potentes que o óleo a 2%. Logo para um paciente usando 40 gotas de qualquer um desses óleos mais diluídos, que vá transitar para um óleo mais concentrado, no caso de mudar para um padrão a 2%, passaria para 04 gotas, para um óleo a 1% (1x4) 08 gotas e para um a 0,4 (1x8) 16 gotas… Aproximadamente.
Recentemente tive notícia de óleo da Abrace com 7,5 mg de THC por ml. Se essa informação está correta (e considero que esteja) então esse novo óleo da Abrace é 3 vezes menos potente que o óleo a 2% (1x2).
Essas são as informações e estimativas com que tenho trabalhado atualmente.
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