quarta-feira, 29 de outubro de 2025

BANHOS DE SANGUE NAS FAVELAS DO RIO E NO CARIBE. O que está por trás disto?

Mais um banho de sangue nas favelas do Rio de Janeiro. Desta vez é o maior da história da chamada guerra "contra as drogas" no Brasil. Isto é compatível com a minha análise da crise mundial que está se extremando, ao máximo, agora e, por isso, a violência dentro do sistema aumenta. O nivel extremado da crise econômico-social mundial em que a gente se encontra e o fato de que a direita, a corrente liberal conservadora em economia, os bilionários no poder, não têm mais respostas razoáveis e, ao contrário, ainda querem impor mais perdas para as massas, resulta que eles estão ficando sem opções. O banho de sangue e os espetáculos da violência, em geral, sempre foram um forte instrumento da opressão social e política em toda a história da humanidade. Criar uma espiral de violência para justificar o exercício do poder fascista. O terrorismo de Estado. A imposição violenta do poder. Isto é o manual do fascismo. E eles irão utilizar mais estes recursos, agora. O uso da ideologia da guerra contra as drogas para mobilizar o imaginário popular, neste crescendo de violência e autoritarismo, é a melhor alternativa da extrema direita, e, agora, eles se utilizam mais disto e com menos restrições, dentro de uma lógica fascista de promover a violência, provocar o conflito, e responder com mais violência, com violência mais extremada. Por isto se tornou o tema central da estratégia geopolítica imperalista dos EUA para toda a América Latina, agora. A ideia é classificar o tráfico de drogas como terrorismo, o tal narcoterrorismo, permitindo a intervenção e a tutela armada dos EUA, onde eles quiserem. A ideologia da guerra às drogas serve como um mobilizador ideal para isto e é, na verdade, um dos últimos sustentáculos da extrema direita mundial, capaz de mobilizar as forças repressivas do sistema em larga escala e justificar plenamente a sua ação violenta, assassina e aterrorizadora. Infelizmente, isto para nós, aqui no Brasil, é frequente demais. Banho de sangue em favela, em ocupação e em aldeia sempre foi uma arma de terrorismo do poder, econômico e político, aqui no BR. E é aqui que nos encontramos, de novo, agora. O governador do Rio de Janeiro, mais uma vez promove um confronto armado com algumas dezenas de mortes, inclusive de policiais. Sempre com um timing político preciso. Estas 64 mortes, até agora, assim como as dezenas de feridos e o terror imposto às comunidades, como um todo, devem ser colocadas na conta dos interesses dos Bolsonaro e da estratégia geopolítica do Trump. O governador do Rio é, "apenas", o carrasco, o verdugo, o assassino. É óbvio que esta ação assassina nas favelas do Rio tem sintonia e coerência política com as ações igualmente assassinas dos EUA, no Caribe. E também é verdade que o seu timimg foi disparado pelo senador Flávio Bolsonaro. Pensando nos interesses da sua família, como sempre. O governador do Rio tem todas estas mortes no seu currículo político. É um assassino político em série. Um monstro que tem que ser responsabilizado por todas as mortes nesta chacina, assim como nas anteriores. Do mesmo modo que o seu líder internacional deve ser responsabilizado pelas mortes nos barcos no Caribe e por diversos outros crimes. Estes falsários, bandidos, pervertidos, assassinos se fazem passar por homens da lei e da ordem e parte do povo, da população, estupidificada pela pobreza e pela desinformação pode mesmo ser conduzida para os piores sentimentos de ódio e violência, discriminação e morte. Sem limites, até. A gente vê isto sempre na história da humanidade. Estamos vendo de novo, no massacre da Palestina, por exemplo, mas também vemos isto acontecer aqui no Brasil, sempre, de um modo ou de outro, com banhos de sangue como este de ontem, ou, pelas mortes e outros tipos de violência política e social, que perpassam o nosso dia a dia, em menores números. Quem acredita que isto realmente tem a ver com as drogas, com o risco das drogas, tem que cair na real, deixar de ser idiota. Isto é uma guerra social que se realiza sob a bandeira, sob este disfarce, da guerra às drogas. Hoje este disfarce está no centro da estratégia ideológica da extrema direita no mundo, sob o predomínio dos EUA de Trump. Assim como é mentira que o objetivo das matanças do Trump no Caribe tenha qualquer coisa a ver com o problema de drogas nos EUA, também é mentira completa que esta nova chacina do governador assassino do RJ tem qualquer objetivo em relação a qualquer problema de drogas no RJ. Na minha visão, a ideologia e a prática da guerra às drogas é responsável por estes 64 assassinados, ou, destas 64 mortes em combate e por todas as demais que acontecem nesta guerra social e política, cotidiana, que ocorre sob o disfarce da guerra às drogas. Assim como de todas as torturas e abusos realizados, cotidianamente, em nome desta ideologia e desta política nas ruas, nas delegacias, nas clínicas de reabilitação. Não posso finalizar esta crônica sem dar uma ideia sobre o que o Lula falou e a moçada por aí veio criticar e ele parece que até se desculpou. A ideia é simples e verdadeira, não há venda sem compra, o traficante, então, presta um serviço para o usuário. Não é possível que, entre adultos, se possa dizer que o usuário de drogas é, em geral, uma vítima do traficante. Certamente não pelas drogas vendidas nas favelas no Brasil, em geral. Uma vitimização excessiva do usuário de drogas tem como contraparte a desumanização, a demonização, excessiva, do traficante. No fim, esta chacina de hoje mostra e dá sustentação, com alguma força, eu creio, à ideia de que quem corre mais risco de morte ou de ter toda a sua vida destruída pelas drogas é o traficante de rua, de beco, de favela, mais do que os usuários de maconha, sem qualquer sombra de dúvidas, mas, também, de cocaína, que são as principais drogas vendidas em favelas no Brasil. A desumanização completa do traficante e a vitimização completa do usuário fazem parte desta ideologia, sustentam e justificam estas ações de guerra. Tudo isto vem ainda com um conteúdo religioso, doentio, a dar ainda mais uma camada de proteção ideológica para o assassinato e para a guerra. A combinação desta ideologia de combate às drogas com a ideologia religiosa de proteção da família tem o poder de levar à completa incapacidade de raciocinar e de fazer escolhas, estratégicas e éticas, razoáveis. O assassinato em pequena escala, diário, e, episodicamente, em massa passa a ser uma prática aceita, sob a capa do mal absoluto, encarnados pela droga e, principalmente, pelo traficante. Isto é mentira, é absurdo e criminoso, é instrumento de dominação social e política, mas é, no entanto, algo de tal maneira caro ao sistema, está tão entranhado nas ideologias e nos mecanismos violentos de dominação e controle social, que não pode ser diretamente questionada e confrontada por nenhuma parte do espectro político dentro do sistema atual. Até mesmo as áreas da ciência e as áreas técnicas, da saúde, da medicina, em especial da saúde pública e de controle sanitário, são capturadas pela força desta ideologia e se tornam coniventes com estes eventos de violência social e política extrema, mais ou menos disfarçados de "guerra contra as drogas". Elas sabem que nada poderia justificar qualquer ação neste sentido, mas elas dão, por ação e omissão, a munição técnica e institucional para esta guerra, com todas as suas consequências. Elas sabem que a criminalização das drogas vendidas nas favelas é indevida e está na base de muitas mais mortes e destruição de muitas mais vidas do que aquelas relacionadas ao uso dessas drogas proibidas. Mas são irresponsáveis o suficiente para deixarem o preconceito, a ignorância e o posicionamento ideológico, político e religioso falarem mais alto e pervertem a sua responsabilidade profissional dando sustentação para esta necropolítica.